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Maria Corina diz que será eleita presidente da Venezuela 'na hora certa'

A líder da oposição na Venezuela e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado, chamou a atual líder interina do país sul-americano, Delcy Rodríguez, de comunista e disse que Donald Trump se preocupa com a população venezuelana.

"Delcy [Rodriguez] é uma comunista. Ela é a principal aliada do regime russo e chinês. Não é o que representa a Venezuela", afirmou. A declaração foi feita durante uma conversa com jornalistas no Heritage Foundation, em Washington, após o seu encontro com o presidente americano.

Ela disse que saiu da reunião com Trump "muito emocionada e esperançosa pelos momentos que estão por vir". "Estava ali representante um povo que deu sua vida pela liberdade e vai conseguir [alcançá-la] graças ao apoio do presidente Donald Trump", diz.

"O presidente entende como a liberdade afeta todo o hemisfério. Senti um enorme respeito, senti que pudermos conversar sobre todos os temas com absoluta honestidade."

María Corina também acusou Delcy de ter liderado a repressão a opositores do regime chavista na Venezuela e relativizou a aproximação entre a líder interina e Trump. "Neste momento, ela está apenas cumprindo ordens."

Em uma entrevista exibida na sexta (16) pela Fox News, gravada no dia anterior, a opositora disse espera ser eleita presidente da Venezuela "na hora certa". O republicano, por ora, não sinaliza disposição para pressionar por uma mudança de regime.

"Há uma missão: vamos transformar a Venezuela naquela terra de graça, e acredito que serei eleita presidente da Venezuela na hora certa, a primeira mulher presidente", disse María Corina. Questionada sobre o futuro do país, ela respondeu que deseja liberdade. "E não só isso, teremos um país que será a inveja do mundo."

O cenário político da Venezuela passa por mudanças após a deposição de Nicolás Maduro, ditador capturado por forças americanas em Caracas, no último dia 3. Delcy Rodríguez, que era vice, assumiu o comando do regime de forma interina e, desde então, mantém diálogos com Trump.

Trump e Delcy já conversaram por telefone, e o americano descreveu a venezuelana como "uma pessoa formidável" e alguém com quem Washington "trabalha muito bem". O líder republicano também já disse que María Corina "não tem o apoio interno nem o respeito do país" para governar a Venezuela.

A opositora deixou o território venezuelano com apoio dos EUA, em dezembro, para receber na Noruega o Prêmio Nobel da Paz. Ela não chegou a tempo da cerimônia de entrega, entretanto, e foi representada pela filha. Na quinta (15), durante o encontro com Trump na Casa Branca, María Corina decidiu entregar a medalha do Nobel ao presidente, num gesto descrito por ele como maravilhoso e de respeito mútuo.

Mesmo que María Corina tenha dado a medalha para Trump, a honra continua sendo dela. O Instituto Nobel da Noruega afirmou que o prêmio não pode ser transferido, compartilhado ou revogado. Ainda assim, na entrevista à Fox, a opositora disse que a homenagem a Trump foi emocionante.

"Decidi entregar a medalha ao presidente em nome do povo da Venezuela e expliquei a ele onde encontrei a inspiração", afirmou. Segundo ela, há precedentes históricos. "Duzentos anos atrás, o general Lafayette presenteou Simón Bolívar, o libertador dos venezuelanos, com uma medalha com a imagem de George Washington [o primeiro presidente dos EUA]".

Lafayette, militar francês que participou da Guerra da Independência dos EUA, teve papel central também na Revolução Francesa de 1789. "Bolívar guardou essa medalha até o fim de seus dias. Sendo assim, duzentos anos depois, o povo de Bolívar está presenteando o herdeiro de Washington com uma medalha. Neste caso, o Prêmio Nobel", afirmou María Corina.

Por Isabella Menon e Renan Marra (Folhapress)