Por: Por Igor Gielow (Folhapress)

Rússia supera tempo da Segunda Guerra Mundial

A Guerra da Ucrânia completou 1.419 dias na última segunda-feira (13), faltando pouco mais de um mês para chegar à marca dos quatro anos de duração. A data esconde uma efeméride: foram ultrapassados os 1.418 dias de duração da Segunda Guerra Mundial para a Rússia.

Por motivos óbvios, ninguém comentou o assunto no governo de Vladimir Putin, que desde a invasão de 24 de fevereiro de 2022 tenta imprimir a memória do conflito global na tomada decisória atual, equivalendo o governo de Volodimir Zelenski aos nazistas de Adolf Hitler.

Os ucranianos dão sua ajuda à propaganda, louvando figuras históricas associadas ao nazifascismo e integrando unidades militares de inspiração neonazista, como o famoso Batalhão Azov. Mas sobre a comparação temporal não se ouvirá nada.

Ela ajuda a desconstruir um mito criado pela vitória dos soviéticos em 1945, quando esmagaram as forças alemãs que haviam invadido brutalmente o país em 22 de junho de 1941: o da invencibilidade da máquina militar do maior país do mundo.

De forma evidente, fala-se aqui de capacidades convencionais. A Rússia tem o maior arsenal nuclear do mundo e meios avançados para empregá-lo. Mas o temor do apocalipse quase inevitável de uma escalada do tipo manteve Putin afastado do proverbial botão -assim como os Estados Unidos, França e Reino Unido, seus rivais imediatos.

A visão da Rússia invencível foi forjada pelos fatos e pela propaganda.

Sempre que pode, Putin apresenta o arranjo com uma resposta inevitável ao Acordo de Munique de 1938, quando os Aliados acharam ter apaziguado Hitler ao ceder partes alemãs étnicas da Tchecoslováquia -algo que assombra Zelenski nas negociações hoje mediadas por Donald Trump.

Antes do confito, Putin controlava pouco mais de 7% da Ucrânia, entre terras da Crimeia e no leste, essas por procuração para separatistas. No auge da ocupação, subiu isso para 26%, e agora tem quase 20%.

Seus ganhos têm sido crescentes, e 2025 viu o maior bocado de terra conquistado pelos russos desde 2022, mas ele somou 1% do território rival. A comparação com o passado empalidece ainda mais a visão. Evidentemente, ela é só retórica. A guerra de 1941 foi um conflito total, com mobilização de recursos infindáveis e escala global; agora Putin ainda fala em operação militar limitada.

Que possa sair dela com um bom naco da Ucrânia será apresentado como vitória e pode haver avanços mais significativos, mas a vitória rápida nunca veio.