A relação entre o presidente Gustavo Petro e o americano Donald Trump, que já era tensa, desandou meses antes das eleições deste ano. Os colombianos vão às urnas em março, para escolher os senadores e deputados, e novamente em maio, para o primeiro turno das eleições presidenciais, com a possibilidade de um segundo turno em junho.
Há meses, Trump e Petro mantêm uma relação tensa, que resultou em crises diplomáticas e sanções dos EUA contra a Colômbia e seu presidente. Após o ataque na Venezuela, no último dia 3, as preocupações do governo colombiano aumentaram. Trump sugeriu que uma operação militar contra a Colômbia "parece uma boa ideia". Ele também disse várias vezes a Petro para "cuidar do próprio traseiro".
Na semana passada, Trump interrompeu entrevista com o The New York Times para atender a uma ligação de Petro. Na chamada, que durou cerca de uma hora, eles discutiram a situação das drogas na Colômbia, e Trump fez um convite para que o colombiano visitasse Washington.
"O antagonismo mútuo entre Petro e Trump será um fator importante nas eleições. Petro tentará enquadrar qualquer outro nome que não apoie sua agenda como um candidato pró-Trump, enquanto os outros tentarão retratar qualquer um que apoie Petro como um candidato pró-Maduro", avalia Sergio Guzmán, diretor e fundador da consultoria Colombia Risk Analysis.
Pela legislação do país, Petro não pode tentar um novo mandato --a reeleição é vetada desde 2015. A aposta da esquerda para a disputa, então, é o senador Iván Cepeda, que no fim do ano passado venceu as primárias da coalizão governista Pacto Histórico. Ele é um defensor dos direitos humanos e filho de um político assassinado em 1994, uma das diversas vítimas desse tipo de crime no país vizinho.
A candidatura de Cepeda ganhou tração nos últimos meses, por conta das batalhas judiciais de um desafeto seu, o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010). Em 2012, Uribe acusou o esquerdista de suposta manipulação de testemunhas. Só que, em 2018, a Suprema Corte arquivou o caso contra Cepeda por falta de provas e iniciou uma ação contra Uribe, que passou de acusador a réu. O ex-mandatário chegou a ser condenado no ano passado, mas foi absolvido meses depois.
Assim como ocorreu em 2025 em Honduras, no Chile, na Bolívia e nas eleições legislativas da Argentina, a expectativa é que Trump também aponte um favorito no pleito colombiano. Após a queda de Maduro, o advogado criminalista e candidato Abelardo de la Espriella (Defensores da Pátria) declarou que considerava a prisão do chavista "brilhante", enquanto outros nomes da oposição reagiram com cautela.