A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nessa quarta-feira (7) que o país concordou em negociar a venda de petróleo com os EUA. Ela afirmou que o comércio com os norte-americanos "não é extraordinário nem irregular", após a petroleira estatal PDVSA anunciar uma negociação para vender óleo bruto aos EUA.
Ao mesmo tempo, a líder interina afirmou que o relacionamento entre os dois países ficou manchado após o ataque e a captura do ditador Nicolás Maduro no último sábado (3). O ataque do dia 3 deixou 100 mortos e feriu Maduro e sua mulher, Cilia Flores, segundo o ministro do Interior, Diosdado Cabello.
O presidente Donald Trump disse na noite desta quarta-feira (7), ao The New York Times, que espera que os Estados Unidos administrem a Venezuela e extraiam petróleo de suas enormes reservas por anos, e insistiu que o governo interino do país - todos ex-leais ao agora preso Nicolás Maduro - está "nos dando tudo o que consideramos necessário".
Um dia antes, Trump havia declarado que a Venezuela entregará até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA e que o país sul-americano comprará produtos dos EUA com os lucros advindos da venda do petróleo.
A líder venezuela afirmou que "há uma mancha" na relação bilateral. Nas ruas de Caracas, houve protestos convocados por aliados do governo. "Nico [Maduro], aguente, o povo se levanta!", gritavam manifestantes em passeata no bairro popular de Catia.
"Estamos defendendo nossa soberania, nossa pátria. Desde pequenos nos diziam: o império, os gringos, e muita gente acreditou que isso era um conto de fadas", declarou Tania Rodríguez, 57, aposentada.
A PDVSA informou em comunicado que "conduz uma negociação com os Estados Unidos para a venda de volumes de petróleo, no contexto das relações comerciais entre os dois países". A empresa tem um acordo de extração e venda de petróleo, entre outros, com a petrolífera norte-americana Chevron.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, havia dito mais cedo que Washington controlará as vendas de petróleo "indefinidamente".
Em declaração no Congresso, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o governo tem um plano para a Venezuela e "não está improvisando".
Os EUA planejam depositar a receita da venda de óleo bruto em contas sob seu controle. "Esses fundos serão distribuídos em benefício do povo americano e do povo venezuelano", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, repetindo discurso feito por Trump.
Trump receberá representantes das petroleiras dos EUA nesta sexta-feira (9), na Casa Branca, para analisar "a imensa oportunidade que têm" na Venezuela. "Não estamos roubando o petróleo de ninguém", afirmou o secretário de Energia.