Evento excepcional por natureza, por ocorrer a cada 25 anos, o Jubileu da Igreja Católica foi ainda mais incomum em 2025 devido à troca de papas. Aberto por Francisco em dezembro de 2024, o Ano Santo, como é chamado, será encerrado nesta terça (6) por Leão 14.
A cerimônia, acompanhada de missa, está prevista para começar às 5h30 (de Brasília). O ritual na Basílica de São Pedro, com o fechamento da porta santa, aquela localizada mais à direita, será comandado por Leão 14, eleito em maio, após a morte de Francisco, em abril.
Celebrado desde 1300, o jubileu tinha sido aberto e fechado por papas diferentes pela última vez em 1700, após a morte de Inocêncio 12.
Encerrado o jubileu, já na quarta (7) e quinta (8) Leão 14 reunirá os cardeais em seu primeiro consistório. Não foi anunciado um tema específico, mas, segundo o Vaticano, o encontro será dedicado "à reflexão, à partilha e à oração". Os 245 cardeais foram convocados para oferecer "apoio e aconselhamento" ao papa.
O jubileu de 2025 foi um evento bem-sucedido do ponto de vista da participação e da organização. Segundo o Vaticano, foram 33,4 milhões de peregrinos que passaram por Roma ao longo do ano, 8 milhões a mais do que no anterior, em 2000, com João Paulo II.
O Brasil aparece em quarto na lista de países com mais participantes nos eventos em Roma, com 4,7%. As três primeiras posições são de Itália (36%), EUA (12%) e Espanha (6%). Para o vereador Mariano Angelucci, presidente da comissão Turismo e Grandes Eventos da Prefeitura de Roma, a troca de papas contribuiu para atrair mais católicos à capital. "A morte do papa Francisco, o funeral, o conclave levaram a uma forte participação nesses dias, que não era esperada", disse à Folha. Só o funeral levou cerca de 400 mil pessoas à praça São Pedro.
Meses depois, entre o fim de julho e o início de agosto, o Jubileu dos Jovens recebeu cerca de 1 milhão de pelegrinos, o maior público do Ano Santo. "O jubileu foi um sucesso para a cidade", afirma Angelucci, que destaca a ausência de incidentes graves.
Para a Igreja, o legado ainda é difícil de medir. Por um lado, o público de milhões pode ser considerado uma demonstração de vigor. "Não é fácil encontrar outra instituição do mundo, seja laica, civil ou militar, que consiga levar para uma cidade 1 milhão de jovens de todos os continentes", diz Iacopo Scaramuzzi, vaticanista do jornal italiano La Repubblica.
Por outro lado, as praças cheias do jubileu não escondem o fato de que as igrejas continuam a se esvaziar mundo afora, com perda de fiéis e sacerdotes. "A Igreja tem seus problemas, a secularização existe e escândalos como abusos sexuais e financeiros aceleraram o distanciamento de muitos fiéis", afirma.
Esperava-se que o jubileu, cujo tema central foi a esperança, pudesse ser o "gran finale" do pontificado de Francisco, mas sua participação nos compromissos pode ter acelerado a piorado sua saúde. Ele morreu dois meses depois.
Por Michele Oliveira (Folhapress)