Por: Redação

Na OEA, Brasil reafirma que EUA cometeram ‘afronta à soberania’ da Venezuela

Embaixador Benoni Belli durante reunião de emergência da OEA, nesta terça-feira (6) | Foto: Reprodução/Redes sociais

O Brasil participou, nesta terça-feira (6), de reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA), convocada para tratar do ataque dos Estados Unidos à Venezuela e da prisão do presidente Nicolás Maduro. Na ocasião, o representante brasileiro, embaixador Benoni Belli, reforçou as críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - de que foi uma afronta à soberania da Venezuela - e chamou de “sequestro” a condução de Maduro para Nova York.

“Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso”, disse.

Ao chamar a invasão de “agressão”, o diplomata pontuou que o ataque viola a Carta das Nações Unidas e conduz a um mundo “em que a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, que segundo o Brasil, é o “único instrumento” para garantir justiça entre os países.

“Assistiremos assim ao colapso da ordem internacional erigida após a Segunda Guerra. A desordem que ocupará o vácuo será ainda mais injusta, violenta e opressiva, pois tenderá a ser regida pela lei da selva, sem qualquer tipo de contenção”.

O Brasil também reforçou a posição de que a solução da situação na Venezuela não passa pela criação de “protetorados” no país. “Não hesitaremos em sustentar preceitos de nossa Constituição Federal como a não-intervenção, a solução pacífica dos conflitos e a defesa da paz”.

“O Brasil está convencido, nesse sentido, de que somente um processo político inclusivo, liderado pelas e pelos venezuelanos, livre de ingerências externas, pode conduzir a uma solução que respeite a vontade do povo venezuelano e a dignidade humana no país”, complementa.

Horas após os ataques, no sábado (3/1), Lula conduziu reuniões com ministros para discutir a crise venezuelana e conversou por telefone com a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, reconhecida pelo Brasil como a chefe de Estado na ausência de Maduro.