O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, neste sábado (3), que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro.
"Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea", afirmou o republicano, em sua plataforma, Truth Social.
Trump acrescentou que mais informações sobre a ofensiva militar serão apresentadas durante uma coletiva de imprensa, às 13h (horário de Brasília).
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados no Forte Tiuna (oficialmente Complexo Militar do Forte Tiuna), a instalação militar mais importante e segura da Venezuela, localizada no sul de Caracas, capital do país.
Na cidade, foram ouvidas ao menos sete explosões, em um intervalo de 30 minutos, informou a Associated Press.
Tremores e barulho de aeronaves foram relatados por moradores de diferentes bairros da capital. Houve correria nas ruas. Parte da capital ficou sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, na região Sul.
Nas redes sociais, vídeos mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando Caracas em baixa altitude.
Drible no Congresso
O ataque foi realizado sem autorização prévia do Congresso dos Estados Unidos. Trump aproveitou a brecha aberta pela lei Patriot Act (Ato Patriota), aprovada após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Ela autoriza o governo a utilizar a força contra organizações terroristas em territórios estrangeiros. Em sua campanha contra a Venezuela, Trump acusou Maduro de liderar um governo narcoterrorista.
Logo após o início da ofensiva, o governo venezuelano publicou um comunicado afirmando que o país estava sob ataque. Não foi informado se Maduro foi capturado, apenas que ele convocou forças sociais e políticas a ativar planos de mobilização.
"O presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do decreto que declara o estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada", diz a nota. "O país deve se ativar para derrotar esta agressão imperialista."
O governo venezuelano acrescentou que o objetivo do ataque seria tomar recursos estratégicos do país, principalmente petróleo e minerais, e os Estados Unidos querem impor uma “guerra colonial” e forçar uma “mudança de regime”. Ao final, Caracas afirmou que a Venezuela se reserva o direito de exercer legítima defesa e convocou governos da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade ao país.
Maduro no alvo
A crescente pressão sobre o governo venezuelano começou em agosto, quando os Estados Unidos aumentaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro. Simultaneamente, o governo Trump reforçou a presença militar no Mar do Caribe.
De início, Washington afirmou que a mobilização militar tinha como objetivo combater o narcotráfico internacional. Ao longo dos meses, autoridades americanas passaram a dizer a jornalistas, sob anonimato, que o objetivo final seria derrubar o governo Maduro.
Trump e o presidente venezuelano chegaram a conversar por telefone em novembro. Porém, segundo a imprensa americana, os contatos terminaram sem avanços, já que Maduro teria demonstrado resistência em deixar o poder.
No mesmo mês, os EUA classificaram o Cartel de los Soles como organização narcoterrorista. O governo americano acusa Maduro de liderar o grupo.
Ainda em novembro, a imprensa internacional informou que os EUA estavam prestes a iniciar uma nova fase de operações relacionadas à Venezuela.
Além disso, de acordo com o jornal The New York Times, os Estados Unidos têm interesse em assumir o controle das reservas de petróleo venezuelanas, consideradas as maiores do mundo.
Nas últimas semanas, militares americanos apreenderam navios petroleiros que saíam e chegavam à Venezuela. Trump também determinou um bloqueio contra embarcações alvos de sanções e acusou Maduro de roubar os EUA. Antes disso, dezenas de embarcações supostamente carregadas de drogas foram bombardeadas no Mar do Caribe pelas forças americanas. Mais de cem pessoas foram mortas.