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Em meio a "rebranding de pacifista", Donald Trump segue ameaçando Venezuela de invasão

Enquanto Trump tentou mostrar ao mundo essa faceta supostamente pacifista, ele foi bastante autoritário na América do Sul, mostrando que a ameaça do imperialismo americano segue vivo.

No Brasil, ele aplicou o "tarifaço" após pressões políticas da família Bolsonaro, alegando decisões ditatoriais do Ministro Alexandre de Moraes e coisas do tipo. O governo brasileiro bateu cabeça para resolver esse imbróglio ao longo do ano, tendo conseguido reverter a situação na reta final de 2025 em uma "masterclass" política de Lula, que se aproximou do presidente americano e costurou novos acordos.

Na Colômbia, diversas ameaças ao presidente Gustavo Petro foram feitas ao longo do ano. Sob pretexto de uma suposta guerra aos cartéis de drogas na América que, segundo Trump, "ameaçam" os Estados Unidos, ele vem aumentando a presença militar no entorno, colocando pressão em países de menor expressão na política internacional, como a Colômbia, e trazendo de volta o fantasma da invasão americana.

Em dezembro, em coletiva de imprensa, Trump - que já havia chamado publicam Petro de "traficante" - respondeu as críticas do colombiano sobre a ameaça à soberania de seu país com um "fica esperto".

"É melhor ele ficar esperto, ou será o próximo. Espero que ele esteja ouvindo. A Colômbia está produzindo um monte de drogas. Eles têm fábricas onde produzem cocaína", afirmou Trump.

A situação parece longe do fim.

Mas o grande conflito entre Estados Unidos e América do Sul em 2025 foi com a Venezuela. Também com a justificativa de estar combatendo o tráfico de drogas, Trump tomou uma série de medidas autoritárias contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Além de ter oferecido uma recompensa milionária pela cabeça de Maduro, Trump confirmou publicamente que autorizou a CIA a agir no país para derrubar o presidente venezuelano.

Na reta final do ano, o envio do maior navio de guerra do mundo para o mar do Caribe, colocado estrategicamente na rota da Venezuela, foi mais uma forma de ameaça ao país. A ação foi interpretada como se Trump chegasse na porta da casa de Maduro e apontasse um canhão para ela. Mais do que isso, os constantes abates a embarcações venezuelanas no entorno do país seguem chocando a comunidade internacional, mas não a ponta de fazê-la se movimentar contra o presidente americano.

Vale lembrar que a Venezuela é dona das maiores reservas de petróleo do mundo e isso obviamente desperta o interesse americano.

A ações de Trump ligaram o alerta nos parceiros da Venezuela, China e Rússia, que reiteraram publicamente apoio à nação sul-americana. Em dezembro, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, reafirmou o apoio de Pequim ao regime de Nicolás Maduro em ligação telefônica com seu homólogo venezuelano, Yván Gil. O chanceler chinês classificou a relação entre os dois países como uma "tradição de confiança mútua" e disparou críticas ao que chamou de "bullying unilateral" exercido por potências externas, em um movimento que solidifica o eixo de resistência às sanções de Washington.

Já a Rússia adotou um tom mais duro ao envolver a possibilidade de um conflito global. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse esperar que se evite uma escalada ainda maior, mas também afirmou que as tensões em torno da Venezuela podem ter "consequências imprevisíveis para todo o Ocidente".

Para Alexander Shchetinin, diretor do Departamento para a América Latina da pasta, a situação pode trazer riscos para todo o Hemisfério Ocidental e seria um erro.