Por Pedro Sobreiro e Igor Gielow (Folhapress)
Apesar de tomar medidas polêmicas e, por muitas vezes, autoritárias, Donald Trump tentou fazer um "rebranding" na temporada, vendendo ao mundo a imagem de um líder conciliador. A menos que os países em questão estivessem inclusos na lista de seu "tarifaço", utilizado como arma política para tentar converter países que se opusessem politicamente aos EUA, incluindo o Brasil. No caso brasileiro, a medida foi contornada na reta final, após os encontros diplomáticos entre Lula e Trump aproximarem os líderes, que costuraram novos acordos.
Mas é inegável que os grandes focos de Donald Trump em 2025 foram as resoluções das guerras na Ucrânia e na região de Gaza. Pessoas próximas ao presidente afirmaram que foram medidas visando a conquista do Nobel da Paz, que consolidaria essa imagem do "mediador pacifista" que Trump tenta emplacar. Porém, o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, que contaria pontos fundamentais para o Nobel, só foi costurado após a cerimônia. Por falar no prêmio, ele foi entregue a María Corina Machado, líder da oposição na Venezuela, o que causou revolta em parte da comunidade internacional.
No caso da guerra na Ucrânia, as negociações renderam momentos pitorescos, como a "bronca" ao vivo que Trump deu em Volodimir Zelenski em pleno Salão Oval da Casa Branca. Além de ter chamado o presidente de "Ditador", alegou que ele estava arriscando iniciar a Terceira Guerra Mundial. Tudo isso diante das câmeras.
Após o constrangimento, os líderes se reproximaram conforme a Rússia seguia tomando territórios. Em agosto, Trump se reuniu com Vladimir Putin e seguiu tentando mediar um cessar-fogo, que ainda está em vias de ser costurado.
Zelenski segue mais pressionado, com novas perdas militares no leste do país. Em dezembro, ele ficou visivelmente incomodado com as posições simpáticas a Putin expressadas por Trump durante a entrevista coletiva de ambos no dia 28, quando o americano disse entender por que o russo não aceitava um cessar-fogo sem antes ter seus termos considerados.
O cronograma das discussões se moveu para janeiro, frustrando o desejo de Trump de encerrar a guerra iniciada por Putin em 2022 ainda neste ano. Dois grupos de trabalho russo-americanos serão formados para discutir a questão das garantias e aspectos econômicos do eventual fim da guerra.
Já Zelenski quer uma reunião entre negociadores americanos, europeus e ucranianos em Kiev "nos próximos dias" para refinar a discussão, que ainda parece estar longe de acabar.
Cessar-fogo frágil
Na guerra entre Israel e Hamas, um cessar-fogo foi assinado em outubro com mediação de Donald Trump. Porém, como já era de se esperar, a proximidade do americano a Binyamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelense, fez com que Israel violasse o tratado diversas vezes sem sofrer as consequências.
Desde a assinatura, o exército israelense voltou a fazer intervenções e a matar palestinos diversas vezes. Sempre alegando que o lado palestino havia rompido o tratado.
Do lado palestino, a maior polêmica foi a demora na devolução dos corpos dos reféns assassinados ou capturados no ataque de 2023. Os vivos foram logo devolvidos, mas até mesmo pelos ataques israelenses a bases do Hamas, a devolução de alguns corpos foi prejudicada. Nessa guerra, ambos os lados jogam com o que tem, por mais mórbidas que sejam as opções, como segurar a devolução de corpos de familiares mortos.
Fato é que apesar do cessar-fogo ter sido assinado, ambos os lados seguem com ações que desrespeitam o tratado que parece cada dia mais frágil. No fim das contas, ficou a sensação de que a assinatura ocorreu às pressas, justamente par que Trump tentasse conseguir o Nobel da Paz.
Agora é aguardar para ver qual o próximo conflito que os EUA tentarão mediar em 2026.