O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou nesta segunda-feira (29) que Donald Trump ofereceu garantias de segurança por 15 anos contra uma nova invasão da Rússia, caso os rivais cheguem a um acordo para encerrar o conflito mais grave em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.
Na véspera, ambos passaram cerca de duas horas conversando pessoalmente na residência do presidente americano em Mar-a-Lago, na Flórida. Antes, Trump passou uma hora e 15 minutos ao telefone com o russo Vladimir Putin.
"Nos documentos [sobre a paz], são 15 anos, com a possibilidade de estender essas garantias de segurança. Eu disse ao presidente que realmente gostaria que fosse considerada a possibilidade de 30, 40, 50 anos. Ele disse que iria pensar", afirmou a repórteres por meio de um grupo de WhatsApp.
As garantias são um seguro contra novas agressões em caso de cessar-fogo. Zelenski reafirmou que a melhor opção seria o posicionamento de tropas internacionais em seu país, algo que Putin rejeita liminarmente.
Ele já abdicou do ingresso na Otan, intenção que era um dos "casus belli" dos russos. Agora, defende que os Estados Unidos e a Europa deem a Kiev uma proteção semelhante à do artigo 5 da carta da aliança militar ocidental, segundo a qual todos defendem um membro que seja atacado.
É incerto, contudo, o que Trump oferece de fato. O risco de um confronto direto entre a Otan e a Rússia, potencialmente nuclear, sempre norteou o grau de ajuda militar aos ucranianos, mesmo quando a política americana sob Joe Biden era de apoio irrestrito a Zelenski — o que o republicano reverteu.
Zelenski voltou a dizer que há dificuldades em especial com questões territoriais. Os EUA defendem a desmilitarização dos 20% da região de Donetsk que Kiev ainda controla, e o ucraniano diz que isso precisaria ser submetido a um referendo.
Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, adotou um tom mais otimista do que o normal acerca das conversas, mas reafirmou que a Rússia exige a concessão total do território histórico do Donbass, que compreende a já ocupada Lugansk e Donetsk.
Não está claro o que Putin pensa sobre outras questões em aberto, como o congelamento das frentes de batalha em outras áreas invadidas ou o destino do controle da usina nuclear de Zaporíjia, ora em mãos russas.
"Não é apropridado discutir isso em público", afirmou Peskov. Questionado se concordava com a assertiva de Trump da véspera, segundo a qual um acordo "está mais próximo do que nunca", ele disse: "É claro que sim".