O ano de 2026 será marcado por eleições importantes na América Latina, nos Estados Unidos e em Israel, em meio a um cenário de guerra e de avanço de agendas intervencionistas. Nos EUA, as eleições de meio de mandato, as chamadas midterms, funcionarão como um teste para o segundo mandato de Donald Trump e serão decisivas para a agenda do governo. A população vai às urnas em novembro para renovar a Câmara dos Representantes, 35 das 100 cadeiras do Senado, além de governadores e outros cargos estaduais e locais.
A disputa é especialmente relevante porque os republicanos têm atualmente uma maioria estreita, de apenas três assentos, na Câmara. Historicamente, as midterms costumam favorecer o partido fora do poder na Casa Branca. A batalha, em certa medida, começou ainda neste ano, com a tentativa de redesenhar mapas distritais.
A prática, conhecida como "gerrymandering", busca criar maiorias artificiais ao reformular distritos eleitorais e ajudar a eleger deputados que não venceriam. Governadores de estados controlados tanto por democratas como por republicanos entraram na disputa, que em alguns casos chegou à Justiça.
Sem maioria, Trump pode ter dificuldades para governar e para sustentar sua política externa, sobretudo em regiões como a América Latina, onde lidera uma campanha militar que reforça o ressurgimento da Doutrina Monroe. No último dia 17, por exemplo, a Câmara barrou, mas por uma margem estreita, duas resoluções que buscavam limitar a atuação do presidente contra a Venezuela.
O resultado das midterms, portanto, tende a irradiar sobre a América Latina, onde países como Brasil, Colômbia e Peru também irão às urnas sob influência e pressão de Washington, segundo especialistas.
"A promoção de governos conservadores, de direita ou de ultradireita, faz parte de um plano mais amplo da gestão Trump", afirma o cientista político Rafael Villa, professor da USP (Universidade de São Paulo). Candidatos ideologicamente alinhados ao republicano tenderiam a receber apoio político, enquanto adversários seriam alvo de pressão, afirma.
Israel também chegará a 2026 com um pleito previsto para outubro. Os eleitores escolherão os membros do Knesset, o Parlamento israelense, em um cenário político marcado pela guerra em Gaza e pela instabilidade institucional.
Com 17 anos não consecutivos no poder, Netanyahu já afirmou que pretende disputar novamente o cargo. Pesquisas indicam que sua coalizão não teria cadeiras suficientes para formar um novo governo —impasse que também atinge a oposição. O cenário reacende o risco de repetição do período de 2019 a 2022, quando Israel realizou cinco eleições em pouco mais de três anos.