Um grupo de 25 congressistas dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, cobrando explicações sobre a possível participação do governo Donald Trump na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. O documento, datado de quinta-feira (29), questiona se autoridades americanas facilitaram a viagem do parlamentar mesmo após uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo os signatários, restringia seu deslocamento internacional.
A iniciativa é liderada pelas deputadas democratas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus e estabelece o dia 13 de novembro como prazo para uma resposta formal do Departamento de Estado. Os congressistas também solicitam uma reunião técnica com representantes do governo americano para esclarecer as circunstâncias da viagem.
A carta apresenta uma série de questionamentos sobre a atuação da diplomacia americana, incluindo a concessão de vistos a Flávio e familiares, o eventual conhecimento prévio da ordem judicial brasileira e a participação de funcionários da Casa Branca, da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília ou de outras agências federais na organização do deslocamento.
Entre os pontos mais sensíveis está a possibilidade de autoridades americanas terem auxiliado na obtenção de documentos, no planejamento do voo, no acesso a aeroportos ou na entrada do senador em território americano. Os parlamentares também querem saber se houve comunicação com representantes de Flávio antes ou depois da decisão do STF.
O documento questiona especificamente se funcionários americanos localizados na Argentina ou no Equador participaram da coordenação do itinerário. A referência aos dois países amplia o alcance dos esclarecimentos solicitados, mas não comprova que essas autoridades tenham participado da operação.
Outro ponto central é a preocupação com as consequências diplomáticas da eventual assistência. Os congressistas perguntam se o Departamento de Estado avaliou o risco de uma intervenção americana ser interpretada como interferência em processos judiciais brasileiros ou em assuntos políticos internos do país.
A carta também cobra esclarecimentos sobre a base legal para a concessão dos vistos e sobre eventuais consultas ao Departamento de Justiça e aos órgãos responsáveis pela imigração e pelo controle de fronteiras.
O pedido de informações é fundamentado em reportagens publicadas pelo The New York Times e pelo The Washington Post sobre a saída de Flávio do Brasil, a decisão judicial relacionada à entrega de seus passaportes e a disposição do governo americano de receber o senador e seus familiares.
Apesar do teor dos questionamentos, o documento não apresenta provas de que o governo Trump tenha organizado a saída de Flávio ou atuado deliberadamente para contornar uma decisão do STF. A iniciativa busca esclarecer se houve participação oficial e, em caso positivo, identificar quem autorizou a assistência e quais informações estavam disponíveis às autoridades americanas.
A cobrança representa uma iniciativa de fiscalização parlamentar sobre a atuação do Departamento de Estado, e não a abertura de uma investigação criminal. A resposta de Marco Rubio poderá esclarecer se recursos diplomáticos ou migratórios dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a viagem do senador brasileiro.
Menu