A divulgação de mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, ganhou repercussão internacional. Jornais estrangeiros classificaram o episódio como uma "bomba atômica" e um "terremoto político e institucional" no Brasil.
As mensagens fazem parte de material analisado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo a investigação, Vorcaro manteve contato frequente com um número atribuído a Moraes e buscou informações e ajuda diante do avanço das investigações contra o Banco Master.
O caso ganhou dimensão internacional após a retirada do sigilo de informações da investigação pelo ministro André Mendonça, do STF. O episódio ocorre a poucas semanas das eleições presidenciais e amplia a pressão política sobre a Corte.
O espanhol El País afirmou que as revelações tiveram efeito comparável ao de uma "bomba atômica" sobre o Judiciário e a política brasileira. O jornal destacou ainda que Moraes manteve perfil discreto diante da divulgação do material e relacionou a crise ao cenário eleitoral e à futura composição do Supremo.
A publicação espanhola também recuperou outro ponto que já cercava a relação entre Vorcaro e pessoas próximas ao ministro: o contrato firmado pelo Banco Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado. Mensagens analisadas pela PF mostram que Vorcaro tratava os pagamentos ao escritório como prioritários.
Na Argentina, o La Nación classificou a situação como um "terremoto político e institucional" que atinge o STF. O jornal apresentou Moraes como uma das figuras mais poderosas do Judiciário brasileiro e afirmou que a divulgação das mensagens colocou o ministro no centro de uma crise sem precedentes.
Mensagens antes da prisão
Entre os pontos que mais chamaram a atenção da imprensa estrangeira está uma mensagem enviada por Vorcaro em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua prisão. O banqueiro perguntou ao contato atribuído a Moraes se deveria estar fora do país na segunda-feira seguinte.
Outras mensagens analisadas pela PF indicam que Vorcaro pediu ajuda envolvendo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em uma delas, o banqueiro questionou se seria possível atrasar medidas contra ele e pediu uma tentativa de sensibilizar o comando da PF.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando tentava embarcar em um jato particular. As mensagens encontradas no celular do banqueiro passaram a integrar a investigação sobre a rede de relações e influência mantida pelo empresário.
O material divulgado também registra encontros entre Vorcaro e Moraes e conversas relacionadas ao escritório da mulher do ministro. A PF identificou pelo menos seis encontros entre os dois, segundo documentos da investigação divulgados nesta semana.
A repercussão ocorre em meio a uma disputa sobre os próximos passos da investigação. A Procuradoria-Geral da República pediu a anulação do relatório, argumentando que a apuração envolvendo Moraes teria sido iniciada sem autorização do plenário do Supremo. Mendonça decidiu levar a questão aos demais ministros da Corte.
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