O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira (17) bombardear Omã caso o país interfira nos esforços de Washington para chegar a um acordo com o Irã sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo no mundo.
A declaração foi dada em entrevista à Fox News, segundo veículos que repercutiram a conversa. Trump afirmou que os Estados Unidos atacariam Omã caso o país “ficasse no caminho” das negociações.
A ameaça adiciona um novo elemento de tensão ao conflito no Oriente Médio. Omã é um parceiro histórico dos Estados Unidos na região e, ao mesmo tempo, mantém uma política de neutralidade que permitiu ao país atuar como intermediário entre Washington e Teerã.
Disputa pelo Estreito de Ormuz eleva tensão
A declaração de Trump ocorreu enquanto Irã e Omã negociam uma forma de garantir a circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz. O governo iraniano indicou que as tratativas com Mascate avançaram para a definição de uma rota marítima.
O estreito liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é considerado estratégico para o mercado mundial de energia. Cerca de 20% do petróleo transportado por via marítima passa pela região, o que faz qualquer interrupção no tráfego ter potencial para provocar impactos nos preços de combustíveis e na economia global.
Trump, por sua vez, vem defendendo que os Estados Unidos tenham controle sobre a passagem estratégica. As negociações entre Washington e Teerã permanecem travadas, enquanto Omã tenta atuar como intermediário para facilitar uma saída diplomática.
Até a atualização desta reportagem, o governo de Omã não havia divulgado uma resposta à ameaça feita pelo presidente americano.
Trump diz ter canal secreto com o Irã
Na mesma entrevista, Trump afirmou que os Estados Unidos mantêm um canal de comunicação indireto com integrantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).
O presidente americano também disse não ter pressa para concluir um acordo que encerre o conflito. A declaração ocorre justamente no momento em que chega ao fim o período de 60 dias previsto em um entendimento anunciado em junho entre Washington e Teerã.
Trump voltou a exigir que o Irã aceite uma posição de rendição como condição para encerrar a guerra e afirmou que sua principal preocupação continua sendo impedir que o país desenvolva uma arma nuclear.
O governo iraniano, entretanto, nega que tenha retomado negociações diretas com os Estados Unidos. Teerã afirma que as conversas estão paralisadas e que eventuais contatos ocorrem por meio de intermediários.
Omã tenta manter papel de mediador
A posição de Omã é particularmente delicada. O país mantém relações de cooperação militar com os Estados Unidos, mas também construiu ao longo dos anos uma política externa caracterizada pelo diálogo com diferentes governos da região.
Essa postura fez de Mascate um dos principais canais diplomáticos entre Washington e Teerã.
Agora, a aproximação entre Omã e Irã para estabelecer condições de navegação pelo Estreito de Ormuz colocou o país no centro da disputa sobre o futuro da passagem marítima.
A ameaça de Trump ocorre em um momento de forte pressão sobre a circulação de navios na região e de preocupação internacional com os efeitos da guerra sobre o comércio de energia.
Houthis anunciam ataque a navio saudita no Mar Vermelho
A tensão regional também se estendeu ao Mar Vermelho nesta segunda-feira.
Os Houthis, grupo armado baseado no Iêmen e aliado do Irã, afirmaram ter lançado mísseis contra um navio militar da Arábia Saudita e outras embarcações que faziam sua escolta.
Segundo um porta-voz do grupo, o ataque ocorreu nas proximidades de Mocha, área localizada perto do Estreito de Bab el-Mandeb, outra passagem marítima fundamental para o transporte de mercadorias e energia.
Até a última atualização, a Arábia Saudita não havia confirmado o ataque.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante?
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima localizada entre Irã e Omã e conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, posteriormente, ao Oceano Índico.
Sua importância vai muito além da geografia. Uma parcela significativa das exportações mundiais de petróleo e gás passa pela região. Por isso, qualquer bloqueio prolongado ou ameaça à navegação pode afetar o abastecimento energético, elevar os preços internacionais e aumentar a pressão sobre economias dependentes de combustíveis importados.
A disputa pelo controle da passagem se tornou, portanto, um dos principais pontos de tensão da guerra entre Estados Unidos e Irã. A possibilidade de um ataque contra Omã, até então um aliado de Washington e importante intermediário diplomático, amplia ainda mais a incerteza sobre o futuro das negociações e da navegação no Golfo.
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