A médica Andréa Marins Dias, de 61 anos, foi morta a tiros em seu carro durante uma perseguição policial em Cascadura, na zona norte do Rio de Janeiro, neste domingo (15).
A suspeita é que os agentes tenham confundido o carro da vítima com o de criminosos.
Segundo moradores, Andréa, de 61 anos, tinha acabado de sair da casa dos pais quando foi baleada dentro de um carro modelo Corolla, na Rua Palatinado.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que os policiais abordam o veículo da médica e chegam a bater com fuzil na porta da motorista. Ao abrirem a porta, os agentes encontraram Andréa já sem vida dentro do carro.
Uma testemunha gravou o momento em que o carro da médica é cercado pelos agentes: "Desce irmão, vai morrer! Vai morrer, irmão, desce!", gritou agente.
Apuração do caso
A Secretaria de Estado de Polícia Militar lamentou a morte e informou que, por determinação do secretário de Polícia Militar, Marcelo de Menezes Nogueira, foi instaurado um procedimento para apurar os fatos ocorridos durante a ação.
Os policiais que participavam da operação foram afastados das ruas e tiveram as armas e as câmeras corporais apreendidas. uma perícia complementar foi realizada no veículo da vítima nesta segunda-feira (16).
“Vale informar que os policiais que faziam parte da equipe de agentes que efetuou a abordagem portavam as câmeras corporais. Os dispositivos e as armas utilizadas pelos agentes estão à disposição do procedimento investigativo pela Polícia Civil”, disse a corporação.
As investigações estão sendo conduzidas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
Anielle Franco
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, disse em rede social que testemunhas informaram que o carro da médica negra foi confundido com o de criminosos.
“Até quando a ausência de políticas eficazes de segurança pública continuará produzindo cenas como essa? Até quando vamos perder pessoas negras para a violência?”, questiona a ministra.
Segundo Anielle, a médica atuava há 28 anos no cuidado com a saúde das mulheres. Era ginecologista e cirurgiã-geral.
“Sabemos o quanto custa para uma mulher negra acessar a universidade e se tornar médica. É doloroso perder Andréa a tudo o que ela representa”, afirmou Anielle, ao acrescentar que está pressionando as autoridades responsáveis para que haja uma investigação rápida e rigorosa.
*com informações da Agência Brasil