A noite da última terça-feira (14) foi bastante especial para o Galinho de Quintino. No Cinemark do Shopping Downtown, segundo maior complexo de cinema da Cidade Maravilhosa, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, o eterno camisa 10 da Gávea recebeu uma multidão de amigos e torcedores para promover o lançamento de sua cinebiografia: "Zico: O Samurai de Quintino".
Com estreia marcada para o dia 30 de abril, o longa passou seis anos em produção, e agora chegará às telonas com uma proposta narrativa bastante diferente dos documentários tradicionais.
Durante o evento, a imprensa teve acesso a uma coletiva com o diretor do filme, João Wainer, e o próprio Zico, em que a dupla compartilhou histórias de bastidores e compartilhou suas expectativas para o lançamento.
"Acho que o legado do filme é mostra, dessa maneira mesmo, que na vida nada é fácil, principalmente no mundo do futebol, que você precisa ter força para se superar e não se desestimular quando as dificuldades aparecem, logo nas primeiras situações. Que é preciso acreditar no teu sonho, ter vontade de querer realizar. E se você não conseguir naquela área que você vai se sentir mais feliz, poderá buscar uma outra área, se aperfeiçoar naquilo para encontrar sucesso e se tornar feliz nele. Nem sempre você vai conseguir trabalhar naquilo que você gostaria, mas você pode encontrar satisfação e amor em outros caminhos. É uma das mensagens que quero deixar com o filme", contou Zico.
Zico também falou sobre essa nova fase de fazer campanha para o filme.
"Ah, vocês sabem que eu gosto de falar [risos]. Às vezes, o dia é mais pesado, mas quem se preocupa mais é a família, porque a gente vai aqui, dá uma entrevista ali. Viaja pelo Brasil, mas é legal ver como o pessoal está sendo compreensivo, até pelo clima bom que a gente criou com a imprensa, para entender que, às vezes, a gente não consegue estar disponível o tempo todo", comentou.
Após a coletiva, a reportagem teve a oportunidade de conversar brevemente com o diretor do filme, João Wainer, que compartilho um fato curioso: ele é torcedor do Santos.
"Acho que isso, inclusive, foi importante para o filme, porque eu estava cercado de flamenguistas muito apaixonados. E eu pude trazer uma ótica diferente de quem observa quem viveu essa paixão, por isso que acredito que seja um filme que conseguirá dialogar com todas as torcidas", explicou.
João também falou um pouco mais sobre uma fase muito importante da carreira de Zico, que foi sua passagem pelo Japão. O documentário recuperou imagens do Galinho no Oriente, muitas delas inéditas para os torcedores brasileiros. Segundo ele, esse foi um grande desafio para a produção, que contou com ajuda do próprio acervo do Zico.
"Para ter acesso ao material japonês só indo para lá, cara. A gente pode te ligar, mandar mensagem e não sei quê mais. A gente foi para lá, foi conhecendo as pessoas, foi 'cavucando' os acervos... Mas é tudo uma questão de confiança, né? Imagina você ser o Zico, estar tranquilo, aí chega uma galera na sua casa querendo pegar todo teu acervo, querendo olhar tudo? Você tem que ir ganhando a confiança aos poucos e fazendo a pessoa entender que a gente está fazendo um trabalho sério", disse.
"Você tem uma ideia de como isso é interessante? Aquele lounge onde a gente fez as conversas, todo aquele material mostrado é o acervo pessoal do Zico, que estava guardado na casa dele, que a Sandra [esposa do Zico] juntou ao longo dos anos. Troféus, flâmulas, tudo. Podendo 'cavucar' o acervo completo, a gente contratou um grupo de museólogos e catalogou absolutamente tudo. A gente fez um cenário todo composto pelas coisas dele, com a história dele. Porque a proposta era um pouco essa. Contar a história pela ótica não só do Zico, mas de quem estava com ele em todos esses momentos. E ter esse lounge com o acervo foi nossa armadilha [risos], porque ele chegava lá, via uma camisa ou um troféu que estava guardado há muito tempo, e tinha gatilhos para lembrar de histórias e casos", concluiu.
Enquanto isso, do lado de fora, torcedores do Flamengo fizeram um aquecimento na praça em frente ao cinema, entoando cânticos em homenagem a Zico, enquanto tremulavam o bandeirão com o rosto do ex-jogador. Pelo saguão do cinema, craques do passado, como o lateral-direito do Tetra, Jorginho, e o comentarista e ex-jogador Júnior Capacete, um dos maiores ídolos do Rubro-Negro, prestigiaram o evento do amigo, reunindo uma verdadeira multidão.
Zico: O Samurai de Quintino chega aos cinemas de todo o Brasil em 30 de abril e deixou uma excelente primeira impressão nessa noite de pré-estreia, principalmente por adotar uma narrativa pouco tradicional em relação ao padrão de documentários.