Por: PEDRO SOBREIRO

Opinião | Não convocação de Endrick seria constrangimento para Ancelotti

Endrick tornou qualquer chance de não ser convocado em possível vexame para Ancelotti | Foto: Rafael Ribeiro / CBF

A vitória da Seleção Brasileira contra a Croácia, na noite da última terça-feira (31) foi fundamental para a grande promessa brasileira dos últimos anos, Endrick, que teve mais uma atuação de gente grande em aproximadamente 20 minutos que esteve em campo.

Não é segredo para ninguém que Carlo Ancelotti não é muito chegado ao jogador. Seja por acreditar que o garoto ainda não está pronto para figurar dentre os grandes do futebol ou por alguma questão de bastidores, que não é de conhecimento público, o italiano foi o primeiro treinador do Real Madrid a escanteá-lo para o banco de reservas.

Mesmo com menos oportunidades, Endrick continuou trabalhando à espera de oportunidade. Quando Ancelotti saiu e Xabi Alonso chegou, suas chances diminuíram ainda mais. O treinador espanhol iniciou uma 'blitz' contra os brasileiros do elenco que resultou até mesmo na ida de Vini Jr., em temporada de melhor do mundo, ao banco merengue. Com a proximidade da Copa do Mundo e a necessidade de jogar mais minutos, Endrick acertou um empréstimo para o Lyon, da França, onde rapidamente se consolidou como um dos principais atletas de um elenco machucado pela gestão destrutiva de John Textor.

As atuações de Endrick na França - e o compromisso do rapaz, que dizem sequer ter tirado um tempo para conhecer a Torre Eiffel e o Museu do Louvre, dada a alta quantidade de treinos que impôs a si - transformaram sua não convocação para os amistosos em ultraje. Algo que foi corrigido por Ancelotti na última Data FIFA antes da Copa do Mundo.

Após não receber chances contra a França, Endrick foi colocado em campo nos minutos finais contra a Croácia, quando o Brasil já vencia por 1 a 0. Em 20 minutos, o atacante sofreu um pênalti e deu uma assistência para o gol de Gabriel Martinelli, que fechou o placar em Brasil 3 a 1 Croácia. E o lance do pênalti, em especial, foi administrado de maneira brilhante pelo garoto.

Endrick fez a jogada, sofreu o pênalti e pegou a bola para cobrar a penalidade. Do banco de reservas, Ancelotti armou uma armadilha, mesmo que sem querer, para o garoto: pediu para que Igor Thiago batesse. Endrick prontamente cedeu a bola para o companheiro que, sob vaias da torcida brasileira, converteu e fez 2 a 1.

Qualquer um que conheça o meio do futebol sabe que se Endrick tivesse encrencado para bater esse pênalti, sua possível não convocação seria justificada com desculpas como "ele não se adaptou ao vestiário" ou "não agrega ao ambiente". Da mesma forma, se ele não tivesse se prontificado a cobrar a penalidade, uma vertente o cobraria por ser "omisso". Ao puxar a responsabilidade e abrir mão de um gol em prol da equipe, o centroavante demonstrou maturidade, proatividade e pulverizou qualquer argumento possível a sua não convocação.

Se o problema de Ancelotti com Endrick era uma possível falta de maturidade do atleta de 19 anos, o jogo contra a Croácia - e sua carreira na Europa - já provaram que ele tem um psicológico mais forte que o de muito marmanjo com vaga cativa na Seleção. Se o problema é de "vestiário", que o vestiário se adapte a ele, porque em tempos de jogadores omissos, que se acovardam contra times mais "cascudos", o garoto é um poço de talento e atitude. Endrick pode pecar por excesso? Talvez. Por omissão? Jamais! O técnico italiano não pode fechar os olhos para alguém rápido, jovem e com capacidade para mudar um jogo em 20 minutos.

A partida contra a Croácia trouxe outros nomes que fizeram valer a convocação tardia. O meia Danilo, do Botafogo, foi um deles. Luiz Henrique, que já vinha sendo convocado ao longo do ciclo, foi outro que mostrou novamente poder para mudar partidas. Por fim, Rayan jogou 20 minutos e também levou perigo com sua recusa em sofrer faltas e sempre acreditar nas jogadas. Por muito pouco não deixou sua marca no jogo de estreia.

Fato é que o relógio está passando e a lista final, que será divulgada em 18 de maio, precisará contar com nomes 'de última hora'. Se Endrick não for um deles, será inexplicável.