Após Carlo Ancelotti deixar claro em entrevista coletiva que o Brasil poderia jogar de forma mais "pragmática" na Copa do Mundo, visto que o objetivo é ganhar e não necessariamente "encantar", o técnico italiano levou a campo o um time bastante modificado em relação ao que perdeu para a França na última semana, mas com nomes que considera titulares, dentre as opções não afetadas por lesões, para enfrentar a Croácia na última Data FIFA antes do Mundial deste ano.
O jogo foi realizado no Camping World Stadium, em Orlando, nos EUA, e teve bom público. Com capacidade par cerca de 65 mil torcedores, o estádio recebeu pouco mais de 46 mil, a grande maioria brasileira, é claro. O estádio, que foi palco da Copa do Mundo FIFA 1994 - quando era chamado de Citrus Bowl, trazia boas recordações para a Seleção Brasileira, já que a Amarelinha havia disputado duas partidas na casa e jamais perdeu no estádio: a goleada de 7 a 1 sobre o Haiti, pela Copa América Centenário (2016), e um empate em 1 a 1 com os Estados Unidos, em amistoso de 2024.
O retrospecto positivo e a grande comunidade brasileira presente em Orlando ajudaram a construir um clima positivo para a Seleção enfrentar a Croácia, grande carrasco do Brasil na Copa do Mundo de 2022.
Apesar de algumas vaias e pedidos pela convocação de Neymar Jr., os torcedores fizeram sua parte e apoiaram até o fim.
Em campo, o primeiro tempo demonstrou como Ancelotti pretende jogar o Mundial deste ano. A Seleção entrou de forma extremamente pragmática, fazendo um autêntico "jogo chato". A seleção deixava a Croácia jogar, e tentava escapar em contra-ataques. No entanto, a falta de efetividade dava nos nervos. Vini Jr.até tentava chegar com perigo ao gol, mas esbarrava na tomada errada da decisão final. Matheus Cunha, ainda "engessado", conseguiu desempenhar como meia-atacante, mas acabou sendo ofuscado por grande partida do volante Danilo, do Botafogo, que dominou o meio de campo e abriu o placar aos 46 do primeiro tempo, em jogadaça que nasceu de um lançamento de Cunha para Vini, que tirou três croatas em um drible e passou para Danilo marcar.
No segundo tempo, Ancelotti fez valer as oito alterações combinadas com a Croácia e colocou Martinelli, Igor Thiago, Fabinho, Andrey Santos, Rayan, Kaiki Bruno, Endrick e o lateral Danilo, do Flamengo, em campo.
O jogo de Luiz Henrique foi excelente. Por outro lado, a dupla flamenguista de Danilo e Léo Pereira não foi bem. Léo não conseguiu passar segurança defensiva, enquanto Danilo, lento, sofreu contra um time envelhecido da Croácia. Ao lado do zagueiro Marquinhos, outra peça de confiança de Ancelotti, ligou um alerta para o setor defensivo. Foi em lambança deles que saiu o gol croata aos 38 do segundo tempo. É preciso estar ligado o tempo inteiro.
Para a sorte de Ancelotti, Endrick demonstrou todo seu talento e mudou a partida. Após o gol sofrido, o garoto, ao lado de Rayan, passou a infernizar a Croácia com ataques rápidos. Em um deles, sofreu pênalti, que foi convertido por Igor Thiago - o atacante foi vaiado pela torcida quando pegou o pênalti par bater, mas logo passou com o gol marcado.
Aos 46 do segundo tempo, Endrick, entre três, passou para Martinelli, que fechou o placar em 3 a 1.
Com a vitória, Ancelotti disse estar satisfeito que os jogadores aproveitaram a oportunidade e que ganhou algumas dúvidas para a convocação final.
"O que me deixa mais satisfeito é que os novos [convocados] aproveitaram muito bem a oportunidade. Obviamente isso aumenta a dúvida pela lista definitiva, porque Igor Thiago foi muito bem, Léo Pereira foi muito bem, Danilo [Botafogo] foi bem, Endrick muito bem, Kaiki também. Todos aproveitaram e isso é um sinal positivo para a equipe, agora vamos seguir avaliando o que vai acontecer nas ligas europeias e também no Campeonato Brasileiro", disse.