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Sucesso de público da Supercopa desperta reflexão para o Brasil

Por Pedro Sobreiro

A Supercopa Rei 2026 foi um sucesso total para o cenário do futebol. Fora dos campos, a realização da partida foi uma demonstração prática de que quando as autoridades querem, a realização de partidas com duas torcidas é plenamente viável no futebol brasileirp. No Rio de Janeiro, isso é algo comum devido à cultura desportiva da cidade, que viu o futebol se desenvolver ao redor do lendário estádio do Maracanã, onde, desde a década de 1950, torcedores dos quatro grandes clubes da cidade vêm convivendo em dias de jogos, promovendo belíssimas "batalhas de torcidas" nas arquibancadas, sem violência e com muita cantoria e bandeiras.

No século passado, era muito comum que duas partidas fossem realizadas no estádio no mesmo dia, fazendo com que torcedores dos maiores clubes chegassem mais cedo para assistirem as partidas preliminares entre equipes de menor expressão, sem contar a geral, onde diferentes setores da sociedade se encontravam para curtirem os jogos.

Após a reforma para a Copa do Mundo FIFA 2014, o Maracanã perdeu praticamente toda sua aura mística, mas seguiu como um monumento à civilidade da torcida carioca, sendo o único estádio do país a sediar clássicos com setor misto, onde torcedores rivais dividem o mesmo espaço de forma civilizada.

Porém, a civilidade não tem sido regra Brasil afora, onde brigas de torcidas organizadas voltaram a causar transtornos e violência na última década. A "solução" encontrada pelas autoridades desses estados foi adotar o formato de clássicos com torcida única, o que não impediu as brigas de torcida.

Ainda assim, a realização deste jogo no Mané Garrincha, envolvendo as duas maiores torcidas do país - e que há alguns anos nutrem rivalidade uma pela outra - é uma prova de que a realização dos clássicos com duas torcidas pode muito bem voltar a realidade do futebol brasileiro, basta as autoridades adotarem um esquema sério e compromissado de policiamento.

A Supercopa do Brasil, vencida pelo Corinthians sobre o Flamengo, bateu o recorde de público do estádio. 71.244 torcedores lotaram o segundo maior estádio do país para apoiarem seus times. E tudo correu bem.

Se o policiamento foi capaz de gerir bem mais de 70 mil torcedores em Brasília, por que não conseguiria fazer o mesmo em São Paulo, por exemplo, onde a média de público dos estádios é de 40 mil? A quem interessa impedir as torcidas mistas no país, acabando com o espetáculo cultural do futebol nas arquibancadas?

O espetáculo foi tão belo que arrancou um elogio da presidência da CBF.

"Quero agradecer a contribuição de nossos colaboradores, patrocinadores da CBF e dirigentes pela organização da Supercopa Rei 2026, que foi um grande sucesso. Destaco, em especial, as torcidas de Flamengo e Corinthians. Graças à sua paixão, o torneio e o Mané Garrincha tiveram seus recordes de público quebrados, proporcionando uma linda festa dentro e fora de campo", celebrou o presidente da CBF, Samir Xaud.

Cabe a reflexão a Samir Xaud, que vem fazendo um excelente trabalho à frente da entidade, se não vale a pena conversar com as federações e estados para tentar recuperar as torcidas dividas.