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Belém aposta em 'clima da Copa' para vencer disputa com Rio por amistoso

Belém entrou na briga com o Rio de Janeiro para receber o último jogo da seleção brasileira em casa antes da Copa do Mundo. A capital paraense enviou um ofício à CBF colocando-se como candidata a sediar a partida, no fim de maio.

A ideia da comissão técnica é fazer dois amistosos: um de despedida, no Brasil, e outro já nos Estados Unidos, país que receberá os jogos da seleção na primeira fase. Os rivais de ambos os duelos serão anunciado nos próximos dias, segundo a entidade.

A ideia da comissão técnica para o amistoso em solo brasileiro é enfrentar uma equipe que não estará no Mundial. O rival deve ser modesto, e o jogo terá como objetivo melhorar a conexão entre torcida e jogadores, na busca pelo hexacampeonato.

A diretoria de futebol ainda analisa alguns pontos para a escolha do amistoso. O Rio tem como vantagens o Maracanã e o menor deslocamento. A apresentação do time será em Teresópolis, e com isso o time faria apenas uma viagem antes de partir para o Mundial.

Belém, por sua vez, conta com o clima para conseguir a partida. O sol e a umidade são vistos como um trunfo da capital paraense. Em 2014, a seleção brasileira recebeu muitas críticas por escolher a Granja Comary como centro de treinamento para a Copa do Mundo. O local em Teresópolis é conhecido por ter temperaturas baixas, diferente das cidades em que o time jogou, com um forte calor.

A expectativa é que a Copa do Mundo nos Estados Unidos tenha jogos com alta umidade e com os termômetros registrando números acima de 30 graus. É um clima que lembra o de Belém; assim, o amistoso já serviria como preparação para a equipe de Carlo Ancelotti.

"Essa correspondência climática oferece uma vantagem técnica real: permite que a Seleção jogue seu último amistoso em ambiente térmico e fisiológico muito próximo ao que encontrará nos Estados Unidos, favorecendo a adaptação prévia ao calor e à umidade, reduzindo o impacto da transição e auxiliando o trabalho da preparação física e médica da equipe", diz o documento enviado ao presidente Samir Xaud, com o pedido para que o jogo fosse disputado no Mangueirão.

O ofício foi enviado no início do mês pela Federação Paraense de Futebol (FPF). A FPF diz ter o apoio do governador do Pará, Helder Barbalho, e se compromete a fazer investimentos para receber a seleção brasileira antes do embarque para os Estados Unidos.

Uma das melhorias citadas foi a troca do gramado do Mangueirão para o que será utilizado no Mundial. O documento também relembra que a cidade recebeu a COP30, em novembro do ano passado, e que reúne as condições ideais para a preparação da equipe.

O pedido da Federação Paraense também relembra a Copa de 1994, quando o Brasil fez o último amistoso no Recife, goleada sobre a Bolívia por 6 a 0. Por superstição, houve um movimento para que o jogo fosse disputado na capital pernambucana, mas a ideia foi descartada.

Belém acredita que o jogo no Mangueirão pode ajudar nessa conexão torcida e jogadores, assim como aconteceu em 2023, quando o Brasil venceu a Bolívia por 5 a 1, jogo em que Neymar se tornou o maior artilheiro da amarelinha em jogos oficiais.

Por Thiago Arantes e Thiago Rabelo (Folhapress)