A ideia de fazer cortes nos esportes olímpicos no planejamento de 2026 já vinha sendo amadurecida pela diretoria do Flamengo, e não pegou os atletas atingidos de surpresa. O clube anunciou na segunda (5) o fim do remo paralímpico e da canoagem, e deu adeus ao medalhista olímpico Isaquias Queiroz.
A diretoria do clube, ao longo do ano, reforçava o conceito de manter esportes que possam caminhar sozinhos. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, já indicava que poderia realizar cortes na pasta, mas aguardou a estruturação para a próxima temporada.
O Rubro-Negro entendia que não poderia manter o nível de investimento e já estudava a descontinuidade de algumas modalidades, avaliando o custo-benefício. A canoagem era uma das analisadas, o que foi concretizado.
Um ponto que, segundo o Flamengo, pesou para a escolha foi o fato de Isaquias Queiroz, Gabriel Assunção, Mateus dos Santos e Valdenice do Nascimento - boa parte do elenco da modalidade - não residirem no Rio de Janeiro.
Na visão do clube, isso inviabilizava "a consolidação de um trabalho estruturado de base e a formação de novos talentos, pilares fundamentais do projeto esportivo do Flamengo e parte essencial do seu DNA histórico". Mas desde sempre Isaquias não treinava no Rio e essa situação havia sido acordada desde o início, tanto que o Flamengo não possui estrutura de treinamento para a canoagem.
Atualmente, eles utilizam a estrutura do centro de treinamento em Lagoa Santa, Minas Gerais, local que virou a casa da seleção brasileira desde 2014. A cidade, cerca de 40 quilômetros de Belo Horizonte, foi uma escolha de Jesús Morlán, então treinador da equipe masculina de canoagem velocidade e que revolucionou a modalidade no Brasil. Ele morreu em 2018.
Gabriel e Mateus são apontados como nomes promissores na canoagem brasileira. Além dos já citados, o Flamengo também se despediu de Roberto Maehler.
O Rubro-Negro também encerrou as atividades do remo paralímpico e dispensou Michel Pessanha, Gessyca Guerra, Diana Barcellos e Valdenir Junior. Eles estão recebendo apoio da Confederação Brasileira de Remo e utilizando a estrutura da entidade, na Lagoa, para treinamentos.
Os atletas envolvidos nos cortes tomaram ciência das mudanças ainda em dezembro, após contato do clube.
Quando anunciou o acerto para se tornar patrocinadora máster do Flamengo, em agosto do ano passado, a casa de apostas Betano divulgou que a parceria não contemplaria apenas o time profissional masculino, "mas também o futebol feminino, os esportes olímpicos e a Flamengo TV. Esse compromisso reflete a visão da Betano de fomentar diferentes modalidades esportivas e proporcionar experiências exclusivas para a torcida rubro-negra".
Segundo o reportagem apurou, porém, não há, no contrato firmado entre as partes, listado número de modalidades ou um mínimo de esportes ativos para que os valores sejam contemplados. Assim, a decisão passa somente pela estratégia adotada pela diretoria do clube.
Por Alexandre Araujo, Guilherme Xavier e Igor Siqueira (Folhapress)