Da Redação
O Observatório PUC-Campinas registrou em março a maior alta mensal no valor da cesta básica em Campinas desde o início do monitoramento em setembro de 2022. O conjunto de alimentos atingiu o custo de R$ 831,77, o que representa uma variação positiva de 4,37% em relação ao mês anterior.
O aumento faz com que o custo dos itens essenciais comprometa 51,3% do valor líquido do salário mínimo atual, que é de R$ 1.412,00.
De acordo com os especialistas, a elevação decorre de uma combinação de fatores climáticos sazonais e instabilidades geopolíticas internacionais.
O destaque negativo foi o tomate, que subiu 51,98% devido ao fim da safra de verão e ao frio em regiões produtoras como Santa Catarina, o que reduziu a oferta do produto.
Enquanto isso, o cenário de guerra no Oriente Médio impacta o preço do petróleo e, consequentemente, o valor do óleo diesel utilizado nas rodovias - o principal meio de transporte no Brasil. Além disso, o frete ainda tem um peso maior em produtos alimentícios de baixo valor unitário.
Pesquisa
O monitoramento segue a metodologia do Dieese, baseada em um decreto-lei de 1938 que estabelece treze produtos necessários para a subsistência de um trabalhador adulto durante um mês na região Sudeste.
A lista inclui nove quilos de tomate, seis de carne, seis de batata, seis de pão francês, sete litros e meio de leite, quatro quilos e meio de feijão, três de arroz, três de açúcar, um quilo e meio de farinha, 90 unidades de banana, 750g de manteiga, 750ml de óleo e 600g de café.
Para uma família composta por dois adultos e duas crianças, o gasto mensal apenas com alimentação é estimado em R$ 2.495,31, o que equivale ao valor de três cestas básicas.
Já a coleta de dados é realizada entre a segunda e a terceira semana de cada mês em 28 estabelecimentos localizados em bairros ao redor do centro de Campinas para evitar distorções causadas por promoções pontuais.
O relatório observa que o clima de incerteza econômica facilita reajustes de preços por parte dos comerciantes, pois a tendência geral de alta reduz o risco de perda de competitividade frente aos concorrentes.
Apesar desse cenário, alguns itens específicos apresentaram queda ou estabilidade nos preços durante o período avaliado.
A maior queda foi a da batata, que apresentou uma redução de 10,87%. O café em pó também registrou deflação, com um recuo de 3,36% no valor comercializado nas gôndolas da cidade.
Outro item essencial que ficou mais barato foi o óleo de soja, que teve uma queda de 1,74%. Além dessas reduções mais expressivas, o arroz apresentou uma variação negativa de 0,59% e o pão francês registrou uma leve baixa de 0,08%. Por fim, a manteiga completou a lista de itens com redução de custo ao apresentar uma queda de 0,04%.
Medidas do Governo
No dia 14, o governo informou medidas adicionais para conter a alta dos preços dos combustíveis, em razão do conflito no Oriente Médio que tem afetado o mercado de petróleo no mundo.
As distribuidoras beneficiadas por subsídios passaram a ter que informar, semanalmente, a margem de lucro à Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Outra medida diz respeito a procedimentos e prazos que precisam ser cumpridos pelos estados que aderiram à proposta do governo de subsídio ao diesel.
"Os preços estão estabilizados, e os suprimentos estão garantidos. O povo pode ficar tranquilo porque não faltará combustíveis, e os preços ficarão estáveis", afirmou o ministro interno da Fazenda, Rogério Ceron.
Já o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, salientou a importância das medidas para impedir que distribuidores comercializem combustíveis subsidiados sem apresentar as margens de lucro semanalmente à ANP. "A população será fiscal neste momento", declarou.