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Estudo mapeia novos fragmentos de pau-brasil

Um levantamento científico realizado ao longo de duas décadas identificou novos fragmentos de pau-brasil no estado do Rio de Janeiro, ampliando o conhecimento sobre a distribuição de uma das espécies mais simbólicas e ameaçadas da flora brasileira. O estudo, conduzido pelo grupo Pau-Brasil entre 2004 e 2024, mapeou 164 indivíduos de Paubrasilia echinata e registrou a presença da espécie em áreas onde antes não havia confirmação.

Os resultados foram publicados em artigo na Universidade de Cambridge no dia 7 de abril e destacam a ocorrência da planta em 43 áreas distribuídas por 11 municípios fluminenses. Antes do levantamento, o pau-brasil era conhecido em apenas 13 fragmentos de vegetação nativa no estado. Ao todo, a pesquisa abrangeu 21 unidades de conservação.

Entre essas áreas, seis são administradas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea): a Área de Proteção Ambiental Estadual de Maricá, a Área de Proteção Ambiental Estadual de Massambaba, a Área de Proteção Ambiental Estadual do Pau-brasil, o Parque Estadual da Costa do Sol, o Parque Estadual da Pedra Branca e o Parque Estadual da Serra da Tiririca. Nessas unidades, a presença da espécie reforça a importância das áreas protegidas para a manutenção da biodiversidade.

De acordo com o estudo, o pau-brasil está classificado como ameaçado de extinção na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A identificação de novos fragmentos indica que ainda existem remanescentes relevantes da espécie, embora distribuídos de forma fragmentada no território.

Um dos avanços apontados na pesquisa é a criação de um protocolo para avaliação dos fragmentos encontrados. A metodologia, desenvolvida sob liderança da pesquisadora Patrícia da Rosa, estabelece critérios para classificar as áreas em três níveis de prioridade: alta, média e baixa. O objetivo é orientar ações de conservação e direcionar esforços de proteção de forma mais eficiente.

O trabalho também envolveu instituições de pesquisa nacionais e internacionais, com participação de especialistas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal Fluminense (UFF). A iniciativa contou com apoio do Inea ao longo dos 20 anos de monitoramento e coleta de dados.

Além de ampliar o mapeamento da espécie, o estudo propõe que o protocolo desenvolvido possa ser aplicado a outras plantas ameaçadas, contribuindo para estratégias mais amplas de conservação da Mata Atlântica no Sudeste brasileiro.