Da Redação
O outono já começou, mas a transição para a nova estação ainda não sinaliza o fim do calor em Campinas. Os dados meteorológicos indicam que o período será marcado por temperaturas consistentemente acima da média histórica para os padrões sazonais, mantendo o aspecto de dias abafados que caracterizou o final do verão. O aquecimento acima do normal decorre de uma configuração climática específica que envolve tanto fenômenos oceânicos quanto sistemas de pressão atmosférica que atuarão sobre o sudeste brasileiro durante os próximos meses. Embora a estação represente tradicionalmente a passagem dos meses quentes e úmidos para um período de frio e seca, o cenário de 2026 exibe particularidades como a previsão de chuvas prolongadas.
Mesmo com a expectativa de diminuição gradual do volume pluviométrico, o mês de abril deve registrar episódios frequentes de pancadas de chuva e temporais isolados. O resfriamento mais rigoroso é considerado tardio pelos especialistas, uma vez que a entrada de massas de ar polar com intensidade suficiente para derrubar os termômetros de forma duradoura está prevista apenas para o final da estação, entre os meses de maio e junho.
Um dos fatores determinantes para este comportamento térmico é a atuação do fenômeno El Niño de forma costeira.
O aquecimento das águas oceânicas facilita a entrada de fluxos de ar quente e abafado no continente, elevando as temperaturas médias. Paralelamente, a presença da Alta Subtropical do Atlântico Sul, conhecida como ASAS, desempenha um papel crucial ao dificultar a formação de grandes coberturas de nuvens, o que resulta em períodos de tempo mais seco e ensolarado. Segundo as análises do Cepagri da Unicamp, o outono de 2026 alternará janelas de chuva com dias de céu aberto, sem descartar a ocorrência eventual de eventos severos que demandam monitoramento constante das previsões de curto prazo.
Nesta primeira semana da estação, Campinas deve observar uma acentuada amplitude térmica, que consiste na diferença significativa entre os registros mínimos e máximos de temperatura em um intervalo de 24 horas. Esse fenômeno é comum em períodos de transição e exige atenção à saúde devido às variações bruscas. Para os próximos dias, as projeções indicam que as temperaturas mínimas devem apresentar um ligeiro declínio.