Os vereadores da base do governo do prefeito Dário Saadi (Republicanos-SP) votaram contra a convocação do Secretário Municipal de Saúde, Lair Zambon, e do presidente da Rede Mário Gatti, Sérgio Bisogni, para que ambos prestassem esclarecimentos na Câmara sobre a crise enfrentada pela saúde pública campineira (leia mais abaixo).
Caso tivessem sido aprovados em plenário, os requerimentos os obrigariam a comparecer à Câmara para prestar esclarecimentos aos vereadores e à população.
Quem votou contra
Barraram a convocação, votando contra: Ailton da Farmácia (PSB), Arnaldo Salvetti (MDB), Benê Lima (PL), Carlinhos Camelô (PSB), Carmo Luiz (Republicanos), Débora Palermo (PL), Dr. Yanko (PP), Edison Ribeiro (União Brasil), Eduardo Magoga (Podemos), Filipe Marchesi (PSB), Guilherme Teixeira (PL), Hebert Ganem (Podemos), Higor Diego (Republicanos), Luis Yabiku (Republicanos), Marcelo Silva (PP), Marrom Cunha (MDB), Mineiro do Espetinho (Podemos), Nelson Hossri (PSD), Nick Schneider (PL), Otto Alejandro (PL), Paulo Haddad (PSD), Permínio Monteiro (PSB), Roberto Alves (Republicanos), Rodrigo da Farmadic (União Brasil) e Rubens Gás (PSB).
Luiz Rossini (Republicanos), da base do governo, não votou por ser o presidente da Câmara.
Quem votou a favor
Por outro lado, votaram a favor das convocações os seis vereadores da oposição: Fernanda Souto (PSOL), Guida Calixto (PT), Gustavo Petta (PCdoB), Mariana Conti (PSOL), Paolla Miguel (PT) e Wagner Romão (PT). Além disso, Vini Oliveira (Cidadania) também votou favorável à prestação de esclarecimentos. "Infelizmente, a base do governo escolheu blindar a administração municipal em vez de permitir que a Câmara cumpra sua função de fiscalizar. Quando vereadores impedem a convocação das autoridades responsáveis pela saúde, quem perde é a população que depende do SUS e precisa de respostas sobre a crise que estamos vivendo na cidade", afirmou Gustavo Petta, autor dos requerimentos.
Para o vereador, "a decisão da base governista representa um grave retrocesso para a transparência na gestão da saúde pública diante do aumento das denúncias de falta de medicamentos nos Centros de Saúde, crescimento das filas para consultas, exames e cirurgias, problemas estruturais nas unidades e dificuldades no atendimento hospitalar, além da recente crise envolvendo o fechamento de leitos de UTI no Hospital Mário Gatti após a identificação de uma superbactéria".
Outro ponto dos requerimentos diz respeito ao contrato com a VTCLog, empresa responsável pela logística e distribuição de medicamentos e insumos, buscando compreender como está sendo feita a gestão, fiscalização e execução desse serviço.
Petta também questiona contratos firmados com empresas privadas para serviços de recepção, limpeza e segurança nas unidades de saúde, diante da necessidade de transparência sobre a qualidade e regularidade desses serviços. Entre eles está o contrato com a FRX Segurança e Serviço de Limpeza, alvo de denúncias de trabalhadoras que relatam irregularidades no cumprimento de direitos trabalhistas, como atrasos no depósito de FGTS e no pagamento de vales refeição e transporte.
O parlamentar reafirmou que seguirá cobrando explicações e acompanhando a situação da saúde pública em Campinas, reforçando que "a população tem o direito de saber o que está acontecendo com o atendimento na rede municipal de saúde e quais medidas estão sendo adotadas para resolver os problemas".