Da Redação
O Grupo EMS, com sede em Hortolândia, comprou a Medley, cuja fábrica fica em em Campinas (SP). O valor da compra não foi divulgado, mas, de acordo com estimativas do mercado financeiro, a operação é da ordem de R$ 3,6 bilhões. A conclusão do negócio, entretanto, depende da anuência do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que analisa se não haverá cartel - o que poderia lesar o consumidor brasileiro.
A Medley permanece sob gestão da Sanofi durante o período de análise e aprovação da venda pelo órgão regulador. Foi fundada em 1996, ganhando o mercado por meio da produção de genéricos em forma de cápsulas, comprimidos, drágeas, medicamentos líquidos e pomadas. Foi comprada em 2009 pela farmacêutica francesa Sanofi por cerca de R$ 1,5 bilhão. Emprega cerca de 1.800 funcionários.
O objetivo da EMS com a compra é colocar mais opções de remédios nas prateleiras e ganhar força no mercado de genéricos - setor que sustenta o crescimento do grupo, que conta com 12 mil funcionários. A empresa ocupa o primeiro lugar em vendas nas farmácias do Brasil e supera concorrentes como Eurofarma, Hypera Pharma e Sanofi. Já a Sanofi vende a unidade para concentrar-se na criação de vacinas e remédios biológicos modernos, investindo em tratamentos para doenças que ainda possuem poucas soluções médicas disponíveis.
Genéricos
São medicamentos que possuem princípio ativo, dose e eficácia idênticos aos de marca. A comercialização ocorre sem nome comercial e apresenta preço reduzido ao consumidor. A identificação visual consiste em tarja amarela com a letra "G" na embalagem. O segmento movimentou R$ 23 bilhões em 2025. O valor representa alta de 13,4% sobre o ano de 2024. O setor detém 40% de participação no mercado total de medicamentos, segundo dados da PróGenéricos.
Além disso, os genéricos compõem 75% das prescrições médicas do Brasil, e a presença desses itens atinge 85% do Programa Farmácia Popular - projeto do Governo Federal que garante acesso gratuito a tratamentos de saúde. A expansão do setor reflete a busca por economia dos consumidores e a manutenção da qualidade terapêutica na rede de saúde pública e privada. A regulação estatal assegura que o baixo custo não comprometa a segurança dos pacientes brasileiros em todo o território.