Por Gabriel Justo (Folhapress)
Você já aprendeu que, para garantir boas ofertas no universo das milhas, é preciso montar uma estratégia que combine acúmulos baratos com boas emissões. Mas entre o planejamento e a sonhada viagem existem algumas cascas de banana que podem frustrar os seus planos e expectativas.
Por isso, o penúltimo capítulo da série De Milha em Milha lista algumas regrinhas e práticas comuns para você ficar de olho e se precaver de eventuais prejuízos.
Expiração dos pontos
Apesar de serem moedas virtuais, as milhas não funcionam como reserva de valor, porque têm validade, em geral, entre um e dois anos. Se você deixá-las paradas por muito tempo, na esperança de juntar mais, por exemplo, elas podem simplesmente sumir. É o que acontece com 12% dos pontos emitidos no mercado, segundo a Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização.
Depois de muitas reclamações dos clientes, os programas de fidelidade passaram a postergar ou simplesmente abolir a validade das milhas, mas apenas para os assinantes dos seus clubes de pontos ou, no caso das companhias aéreas, clientes que tenham status nos seus programas de fidelidade. Assinar esses clubes pode valer a pena, mas a assinatura (e o timing correto para fazê-la) deve fazer sentido dentro da estratégia que você montou.
Excesso de promoções
As promoções que incentivam a assinatura dos clubes de pontos ou a transferência de pontos entre programas são boas oportunidades para multiplicar as suas milhas. Mas é importante lembrar que muitas promoções podem acabar, de maneira geral, desvalorizando os seus pontos no mercado.
Por exemplo: se uma companhia aérea faz muitas promoções que permitem que seus clientes gerem milheiros por R$ 12, o mercado entende que esse é o valor dessas milhas. Por outro lado, oferecer poucas promoções dificulta o acúmulo, mas também valoriza as milhas daquele programa.
Transferência tem limite
As transferências de pontos entre programas tem regras um pouco chatas, que devem ser consideradas ao montar sua estratégia de milhas. A principal delas é que, na maioria das vezes, há um limite mínimo para transferência de pontos, dez ou 15 mil pontos, por exemplo. Isso pode te impedir de aproveitar uma promoção de transferência bonificada quando ela acontecer, o que pode ser bastante frustrante.
Outro ponto de atenção é a paridade na transferência de pontos entre programas parceiros. Para conseguir 1 ponto no Iberia Club, por exemplo, são necessários 3,5 pontos Livelo ou 2 pontos Esfera, o que faz a última opção bem mais vantajosa para quem quer acumular pontos no programa espanhol. O problema é que essa proporção pode mudar a cada vez que os contratos entre os programas são renegociados.
"Se uma companhia aérea tem um interesse em restringir o seu programa, ou quer dar prioridade a alguma parceria na hora que esse contrato é renegociado, os preços dos pontos podem mudar de uma forma muito brusca", explica André Fehlauer, CEO da Livelo. "É natural que exista esse rebalanceamento."
"Adaptações como essas acontecem para garantir que os programas continuem existindo", explica Estela Brandão, diretora da Smiles. "O mercado da aviação é muito dinâmico, com custos que mudam a todo momento, e esse dinamismo precisa ser refletido nos programas. Se não, eles teriam que ser muito menores para serem viáveis."
Metas de gastos
Muitos cartões de crédito oferecem promoções sedutoras de pontuações bonificadas caso os seus clientes atinjam uma determinada meta de gastos no cartão. Essas promoções podem ser uma furada, porque podem te levam a gastar mais do que a sua capacidade financeira lhe permite, e qualquer tipo de juro ou taxa que decorram disso podem descompensar a economia da sua estratégia.