Disney+

'Estilhaços': quando o terror encontra a alta sociedade adolescente dos anos 80

Brad Simpson e Nina Jacobson, produtores executivos da série, revelam bastidores ao Correio da Manhã

'Estilhaços': quando o terror encontra a alta sociedade adolescente dos anos 80
"Estilhaços" é um thriller adolescente que mistura drama, humor politicamente incorreto e momentos "quentes" para contar a história de amigos fugindo de um serial killer na Los Angeles dos anos 80 Crédito: Divulgação/ Disney

Lançada entre agosto e setembro de 2026, no Disney+, a primeira temporada de 'Estilhaços' conquistou o público com sua trama de suspense, drama adolescente e humor politicamente incorreto. A história se passa em Los Angeles nos anos 80, tendo como foco a jornada de Bret (Igby Rigney), um aspirante a escritor que gosta dessa vida de High Society, enquanto vive seu último ano de escola.

Porém, uma fase da vida que deveria ser dedicada aos amigos e à autoexploração, seja descobrindo o que quer fazer na vida ou explorando sua sexualidade, acaba ficando marcada pela chegada de um assassino em série, que começa a perseguir o rapaz e seu grupo de amigos.

A série é uma adaptação do livro semi-autobiográfico 'The Shards', escrito por Bret Easton Ellis, autor de "Psicopata Americano". Criada por Ryan Murphy, o show foi originalmente pensado para ter três temporadas. No entanto, em entrevista exclusiva ao Correio da Manhã, os produtores executivos do show, Brad Simpson e Nina Jacobson, revelaram que estão trabalhando para talvez concluir a saga na segunda temporada.

– Olha, acho que estender a história para três temporadas tem sido um dos grandes desafios. Pegar um livro que tem revelações muito dramáticas ao longo do caminho e descobrir como dosar o ritmo de tudo isso e como mantê-lo vivo por mais tempo é o nosso grande desafio. Então não, definitivamente não acho que passaríamos de três temporadas. Talvez pudessem ser duas, não sei. Mas ficaríamos felizes em apenas continuar essa história, como a maioria dos produtores – contou Nina Jacobson.

A dupla, inclusive, se popularizou com a produção de uma das franquias adolescentes de maior sucesso dos cinemas: "Jogos Vorazes". Na saga de Katniss Everdeen, o público acompanhou jovens se digladiando até a morte em troca de riquezas, dando início a uma revolução. Além disso, a dupla também fez sucesso com a produção de American Crime Story, série antológica sobre crimes famosos dos Estados Unidos. Em "Estilhaços", eles uniram um pouco desses dois mundos, trazendo uma trama criminal com adolescentes. Para Nina, o grande diferencial desta obra para seus trabalhos anteriores é a nostalgia.

– Sim, a gente tem em comum essa ideia de jovens matando jovens, e todas as críticas sociais. Mas sim, nós fazemos muitas adaptações, e esta foi de um livro que realmente nos conquistou e pareceu diferente... Sabe? Ele explora muito da nostalgia que acho que as pessoas estão sentindo, até mesmo pessoas que nem eram nascidas nos anos 80, mas que talvez gostariam de ter vivido nessa época. Mas também é um livro muito provocativo em termos da relação do narrador com o texto e do narrador com o autor. Então, realmente chamou nossa atenção e pareceu um trabalho perfeito para o Ryan Murphy [criador do show], com certeza - disse Nina.

Já para Brad o maior diferencial foi o público-alvo de 'Estilhaços'.

– Jogos Vorazes é um livro com protagonistas adolescentes, mas escrito para todas as idades, sabe? E 'The Shards' é um livro com protagonistas adolescentes, mas escrito para jovens-adultos, se não focado em adultos. E há também, em ambas as obras, diferentes versões de adolescentes prestes a entrar na fase adulta, sendo empurrados para situações de adultos. Acho que esse é um tema universal que vem da realidade: vivemos em um mundo onde você é tratado como adolescente quando convém ao sistema, e tratado como adulto quando convém a ele. Você é subestimado em certo nível, mas ao mesmo tempo pode ir para o exército aos 18 anos, sabe? Então acho que ambos os livros lidam com esses temas universais sobre o que significa ser um adolescente prestes a se tornar adulto - contou Brad Simpson.

Sexualidade em pauta

Outro diferencial da série é tratar a sexualidade de seus personagens sem amarras, fazendo do show, de certa forma, um thriller semierótico. No entanto, de acordo com um estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), publicado em 2023, aproximadamente 48% da Geração Z, que está na mira dos grandes estúdios no momento, não tem interesse em ver arcos sobre sexo em filmes e séries. O que poderia ser um desafio para os produtores executivos, porém, acabou não virando dor de cabeça.

– Olha, geralmente há resistência dos grandes estúdios, mas aqui não foi o caso. Sim, porque este era um livro que a FX nos Estados Unidos realmente amou e queria fazer. Eles sentiram que tinham perdido a oportunidade de adaptá-lo antes, porque estava sendo originalmente desenvolvido na HBO, e os presidentes estavam acompanhando. E a FX é conhecida por fazer coisas mais provocativas e ousadas. Então, sabe, eles... estavam atrás disso. Eles tiveram boas experiências prévias com o Ryan [Murphy], que fez várias séries lá, e ele é conhecido por fazer produções provocativas e ousadas. Então, na verdade, nunca tivemos uma grande discussão. Era uma série que eles queriam fazer desde o início e sabiam o que fazia parte dela. E o próprio livro tem muitas coisas provocativas. Tem sexo, tem drogas... sabe, tem sexo que é judicialmente ilegal, tem todas essas coisas, então eles sabiam no que estavam entrando. Na verdade, a grande discussão foi sobre o nível de violência que mostramos, porque também é um livro com uma trama secundária de suspense e serial killer. E há muitas pessoas que acham mais provável desligar a TV por ser muito violento do que por ter conteúdo sexual, na verdade. Sei que se falou muito sobre isso, mas a verdade é que há muitas pessoas que não aguentam violência. Então, a grande conversa foi sobre o quão explícito seríamos na série com a parte do serial killer – revelou Brad.

Elenco cativou a todos

Por fim, a dupla falou sobre o que mais cativou o time durante as filmagens: o elenco. Composto por nomes relativamente desconhecidos de Hollywood, o casting foi certeiro ao buscar potenciais astros do futuro.

– Acho que uma das minhas partes favoritas foi a escolha do elenco. Como produtor, uma das alegrias é que é sempre divertido escalar estrelas consolidadas, mas é muito divertido lançar novos talentos. E fomos sortudos o suficiente para fazer isso. A Nina é craque nisso, e já revelou grandes estrelas em 'Jogos Vorazes', em 'Podres de Ricos', com o Sterling K. Brown em 'American Crime Story'. E foi muito divertido fazer testes presenciais com vários jovens, sem nenhuma pressão para ter nomes famosos, e apenas montar um elenco de conjunto incrível. E foi o que fizemos. Há muitas coisas divertidas no processo, mas poder juntar o Graham [Campbell], o Igby [Rigney], a Kaya [Gerber] e todos esses garotos, ver eles criarem um vínculo e fazerem a série foi demais - afirmou Brad.

– Sim, tenho que concordar. Acho que a escolha do elenco foi a parte mais divertida. Foi divertido para eles, especialmente porque eles são um grupo incrível de jovens. O grupo de atores realmente se gosta muito, mas todos eles deram o seu melhor todos os dias. Foi divertido ver a dedicação deles, principalmente no episódio da festa, com a dança – concluiu Nina.

A primeira temporada de 'Estilhaços' está disponível no Disney+.