Lançada em 2025, a primeira temporada de 'Chad Powers: O Quarterback' atraiu um público diferente para o Disney+. Criada por Michael Waldron ('Loki') e Glen Powell ('Todos Menos Você'), a série foi inspirada em um minidoc de humor do canal esportivo ESPN, em que o ex-quarterback do Giants, Eli Manning, se disfarçava de forma ridícula para conhecer os bastidores do futebol americano universitário.
A trama conta a história de Russ Holliday (Powell), um quarterback muito promissor do esporte universitário, que cometeu um erro gravíssimo na grande final do campeonato, e queimou sua imagem de forma irreparável. Massacrado pelos torcedores e pela mídia, ele vê sua carreira desmoronar e cai no ostracismo. Então, ele tem uma ideia louca: decide se disfarçar, usando maquiagem, próteses e perucas, para tentar recomeçar a carreira como quarterback dos Bagres da Geórgia do Sul, um dos piores times do campeonato colegial. Por lá, ele faz a equipe melhorar, mas começa a se embolar para manter a mentira sobre sua identidade. Levando essa vida dupla, Russ se enfia em uma série de confusões, enquanto tenta mostrar ao mundo que ainda sabe jogar futebol americano.
A convite do Hulu, o Correio da Manhã entrevistou com exclusividade o elenco de Chad Powers, que retorna ao Disney+ nesta quinta-feira (3) para uma segunda temporada, mais dramática e intensa, com todos os episódios lançados de uma só vez para que os fãs possam maratonar.
Nesta segunda temporada, o drama volta mais forte que a comédia, principalmente porque seu protagonista vive uma crise de identidade intensa. Quem ele é afinal? O odiado e egoísta Russ Holliday ou o amado e gentil Chad Powers? Para o astro Glen Powell, essa questão é o ponto mais apaixonante da série.
– Acho que a parte mais incrível desse papel é poder mergulhar nessa área cinzenta entre o Russ e o Chad. Tentar entender onde um termina e o outro começa é algo meio nebuloso e até meio complicado, porque eu comecei a atuar na primeira temporada como se estivesse interpretando dois personagens diferentes, mas conforme ele foi se desenvolvendo, passei a enxergar o trabalho como um homem que vive uma grande batalha interna, que anda por aí acompanhado por um anjinho e um diabinho nos ombros, que falam quem ele deve ser em diferentes cenários. É como se o Russ e o Chad duelassem pela alma desse cara que só quer ser amado. E isso foi apaixonante – contou Glen Powell.
Muito além do futebol
Quando a primeira temporada terminou, os Bagres estavam diante de um cenário extremamente caótico. O time se preparava para um jogo decisivo, no palco no grande trauma de Russ, em um momento em que o treinador Hudson (Steve Zahn) estava hospitalizado, devido a um infarto ocasionado pelas ações irresponsáveis de Russ.
Na nova temporada, o treinador está de volta e ocupa um espaço central na trama, já que sua condição médica acaba sendo o "motor" de diferentes arcos dramáticos.
Para o ator Steve Zahn, houve um momento em especial que foi muito gratificante gravar: a sequência no aeroporto.
– [Chad Powers] é uma série que fala sobre confiança. E há um momento em específico, no aeroporto, em que o treinador e o Chad conversam com muita sinceridade. É um momento de muita verdade em meio àquele turbilhão de bobeiras que os dois estão vivendo – comentou Steve.
A sequência foi tão marcante que o próprio Glen Powell definiu como a essência do show.
– Sabe, o Russ chega a essa temporada atormentado por sentir que é responsável pela situação do treinador. E esse momento do aeroporto, que contou com uma atuação genial do Steve [Zahn], é a definição do que é 'Chad Powers'. Você vê ali dois caras que carregam pesos nas costas, e entende que, se for necessário, eles vão dar suas vidas para conquistarem o campeonato. E são esses segredos compartilhados que conduzem a trama. SWão nesses momentos de sinceridade que mora o brilhantismo do show. Cada um tem sua própria máscara, mas o que une todos é o objetivo de ser campeão – disse Powell.
Honrar os sacrifícios
Outro mérito da segunda temporada é conseguir mesclar a euforia do desempenho esportivo com os dramas pessoais de seus personagens. Quando a primeira temporada chegou ao fim, com o momento eletrizante da treinadora auxiliar, Ricky (Perry Mattfeld), descobrindo a real identidade de Chad - e se vendo no impasse de ter de escolher entre revelar esse segredo ao mundo e acabar com o crescimento dos Bagres, ou manter a mentira e conviver com o homem cujas ações levaram seu pai ao hospital - ficou essa dúvida sobre qual caminho ela escolheria a seguir.
De volta ao show, Ricky ignora seus princípios e contorna a situação tentando conhecer melhor Russ, não apenas como jogador, mas como ser humano. Para a atriz Perry Mattfeld, no fim das contas, essas decisões de Ricky são tomadas por amor ao pai.
– A Ricky é uma pessoa que valoriza muito a verdade, mas ela percebe, nesta temporada, que há muitas mentiras no meio. Então, ela escolhe colocar o bem maior acima de suas crenças. Porque eu acho que o Russ entende que a Ricky sabe o quanto o pai dela [o treinador Hudson] quer ser campeão, sabe? É como se o título fosse uma validação para tudo o que o treinador perdeu. Porque nós vimos o casamento dele desmoronar na primeira temporada, agora ele tem essa questão médica complexa. Então, ela se coloca no lugar dele. Ele perdeu a esposa, está cortando um dobrado com o coração... A Ricky entende que esses sacrifícios podem ser 'justificados' caso ele realize o sonho de ser campeão. O título, de alguma forma, poderia fazê-lo sentir que não foi tudo em vão, o que faria todos se sentirem melhor. Então, ela escolhe encobrir e acaba entrando nessa trama de um jeito mais profundo – detalhou Perry.
E essa escolha gera a grande ironia da temporada, que é construir verdades sobre mentiras.
– A grande questão [dessas escolhas] é que os personagens passam a confiar cegamente nessas mentiras, sabe? Eles investem e arriscam seus valores, enquanto pessoas e atletas, em uma grande mentira. E isso é interessantíssimo, porque, de alguma forma, a gente consegue enxergar que há muitas verdades sendo viabilizadas por essas mentiras – disse Glen Powell.
Bastidores do esporte ganham força
Outra novidade que vai enlouquecer os fãs de esporte é que os bastidores do futebol americano universitário têm um destaque enorme. Principal acionista dos Bagres, a empresária Tricia (Wynn Everett) ganha um núcleo próprio que destrincha a fundo os desafios e maracutaias que uma CEO deve tomar para comandar uma equipe em ascensão. Para Wynn, poder viver essa personagem é algo único.
– A Tricia chega nessa temporada como 'A Poderosa Chefona' [risos]. Ao mesmo tempo em que ela funciona como uma madrinha para os personagens, ela também precisa tomar decisões que podem não ser tão agradáveis assim. E você não questiona ela porque sabe que, apesar de gostar do esporte, a Tricia sabe que aquilo são negócios. E poder interpretá-la é uma das grandes alegrias da minha carreira – disse.
Ela também falou sobre o carinho dos fãs para uma personagem que toma caminhos ambíguos.
– Quando o Michael Waldron e o Glen [Powell] criaram essa personagem e me ofereceram o papel, sinceramente não imaginava que ela se tornaria tão querida. Eu estava morando em Atlanta quando a primeira temporada saiu, e conheci fãs que simplesmente adoravam a Tricia. E, cara... É um sonho realizado poder ocupar esse espaço enquanto mulher, porque ela tem falas escabrosas, que jamais seriam aceitas há pouco tempo, mas aqui eu posso falar absurdos, gritar coisas que nem em um milhão de anos eu poderia dizer em outros papéis, e ainda assim fazer humor e continuar sendo muito querida. A Tricia é como um grito, um desafogo. É incrível! – concluiu Wynn Everett.
Torcida verdadeira
No fim das contas, a grande conquista da série é que, mesmo com os dramas pessoais estando no centro da trama, ela consegue fazer dos Bagres um time querido. Ela desperta uma sensação genuína de estar acompanhando a temporada esportiva de uma equipe de futebol americano, e o público começa a torcer para que eles avancem de fase, como fãs de verdade fariam. Os espectadores vibram nas vitórias e lamentam as derrotas, entendendo um pouco mais dos bastidores do time.
E a segunda temporada termina com mais um gancho muito promissor para uma vindoura terceira temporada. Quando a série foi criada, rumores indicavam que o projeto foi pensado para ser desenvolvido ao longo de três temporadas, e os rumos dos novos episódios parecem corroborar para isso.
Para Steve Zahn, uma nova temporada pode ir de zero a cem em um estalar de dedos, e vice-versa.
– Cara, o mais incrível do nosso futuro na série é que as coisas podem dar muito certo, mas também podem dar muito errado. Tipo, no pior dos cenários, a situação pode ficar sombria de verdade. E isso é muito empolgante – disse.
Powell concordou e disse estar ansioso para gravar uma nova temporada.
– Concordo completamente. A partir de agora, a série pode ir para qualquer caminho, e acho que essa é a magia da produção. Não tem como prever as viradas e todas as novas tramas que poderão se desenrolar. E foi muito divertido conviver com essa sensação já nesta segunda temporada, porque a gente conversava entre as cenas sobre o que viria a seguir, mas nós nunca conseguimos prever com certeza como seriam os desfechos dessas situações, e foi muito, muito legal. Então, tenho certeza que fazer uma terceira temporada seria uma baita experiência para nós e para os fãs – concluiu Glen Powell.
Os seis episódios da segunda temporada de Chad Powers: O Quarterback já estão disponíveis no Disney+.
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