Petrópolis é sinônimo de memória e resguardo. Fundada em 16 de março de 1843 para ser a "Joia Rara" do Império, ganhou fama de "Europa nas Américas", onde cada detalhe do planejamento do Major Júlio Frederico Koeller é visível em quase toda esquina do Centro Histórico. Por meio de marcações e monumentos, é possível conhecer um pouco mais sobre o passado, mas e se essas edificações, ruas, casarões e monumentos sumissem de uma hora para outra? Quais marcas na linha temporal contariam a história local?
Elas sumiriam, e um povo sem passado é como se algo nunca tivesse existido. Por isso, a importância da preservação e do resguardo dos patrimônios históricos, celebrados em 17 de agosto. A data ressalta que proteger e promover os bens culturais nacionais assegura a permanência e o usufruto para as gerações presentes e futuras. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) destacou que o dia serve como alerta para que políticas nacionais de preservação cultural no país sejam implementadas.
Como Petrópolis é repleta de casarões emblemáticos, é um exemplo de que a lei do tombamento é uma forma de proteger a manutenção da autenticidade das estruturas. Esse ponto foi observado quando um incêndio destruiu um prédio tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), no Centro Histórico de Petrópolis, em 2024.
Originalmente, o casarão situado nos números 387, 391 e 393 da Rua do Imperador teve sua construção datada do início do século XX e recebeu tombamento definitivo pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro em 1998, integrando a área de tutela do Conjunto Urbano-Paisagístico da Rua do Imperador.
O imóvel teve a fachada destruída e perda total da cobertura por conta do fogo. Na ocasião, o Inepac afirmou que já havia notificado o Corpo de Bombeiros sobre a urgência de uma vistoria no local, bem como em outros prédios da mesma rua, visando protegê-los. Esse episódio trouxe um debate antigo à tona: a necessidade de fiscalização e qual é a melhor forma de preservar os traços e a identidade dos casarões e palacetes centenários e usá-los de forma segura, sem degradar seu estado original.
Como apontou o Inepac, o tombamento de propriedades prevê a preservação das características arquitetônicas externas, da volumetria, do telhado, da composição das fachadas, dos ornatos e de demais elementos significativos. No caso apontado, os proprietários estão restaurando as fachadas para que não percam os traços originais e as características históricas, arquitetônicas e culturais.
Petrópolis e o conjunto histórico
A Cidade Imperial é composta por 19 conjuntos tombados, do primeiro ao quinto distrito. Entre eles, estão o conjunto da Rua do Imperador e adjacências, da Avenida Koeler, do Hotel Quitandinha, da Rua Mosela e de outras áreas que ajudam a preservar a paisagem urbana e a memória do município.
Recentemente, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou a rerratificação do tombamento da "Avenida Koeler - Conjunto Urbano-Paisagístico", que passará a se intitular "Conjunto Urbano-Paisagístico e Unidades Fabris de Petrópolis". A decisão, conforme apontou o instituto, amplia e atualiza o reconhecimento dos valores históricos e paisagísticos do município.
"Compreendendo a preservação como medida necessária à proteção, conservação e restauração, bem como ancorada ao seu desenvolvimento coerente e à sua adaptação harmoniosa na contemporaneidade", apontou o relatório do Iphan.
Observando essas marcas que fazem perpetuar uma tradição centenária, é possível entender que Petrópolis, a "Cidade Imperial", é construída por uma rica história que se entrelaça com o desenvolvimento do Brasil e que o passado está interligado com o presente, coexistindo no cotidiano de cada petropolitano e reforçando a ideia de permanência.
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