Por Gabriel Rattes
A lutadora Gabriela Soares Camara, da equipe Icon Petrópolis, conquistou o tricampeonato brasileiro de jiu-jitsu pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ). A competição foi realizada entre os dias 24 de abril e 3 de maio de 2026, no Ginásio Poliesportivo José Corrêa, em Barueri (SP), com entrada gratuita ao público.
Gabi, como é conhecida, competiu na categoria feminino adulto faixa roxa pesado (79,30 kg) e subiu ao lugar mais alto do pódio. "Esse tricampeonato representa a confirmação de um processo muito intenso, de disciplina e superação. Conciliar treinos, aulas e trabalho aos finais de semana não foi fácil, ainda mais por não termos nenhum patrocínio, mas cada desafio fez parte da construção até aqui. É um título que mostra que estou no caminho certo, mas sigo com os pés no chão e focada em evoluir ainda mais", afirmou em entrevista ao jornal Correio Petropolitano.
Títulos importantes
Natural da Bahia, Gabriela chegou a Petrópolis ainda criança, aos dois anos de idade, e foi na cidade que construiu toda a sua trajetória no jiu-jitsu. Ao longo dos últimos 5 anos, acumulou títulos relevantes em competições nacionais e internacionais. Entre as principais conquistas estão:
? Campeã brasileira com e sem kimono pela CBJJ
? Bicampeã sul-americana pela IBJJF
? Bicampeã europeia pela IBJJF
? Dois terceiros lugares no Europeu de 2023 (categoria e absoluto)
? Campeã de mais de 17 Opens Internacionais
"Lidar com o cansaço acumulado e manter os treinos mesmo com a rotina puxada exigiu muito do meu corpo, mas manter uma alimentação preparada para minha rotina pela minha nutricionista Milena e os cuidados das lesões com o fisioterapeuta Saulo me mantém no ritmo mesmo cansada. Mentalmente estava muito tranquila, sei que o trabalho que meus professores fazem é perfeito, bastava que eu colocasse em prática tudo que treinamos todos os dias", explicou.
Preparação e estratégia
A conquista também é resultado de um trabalho técnico e tático bem estruturado ao longo da preparação. "A gente montou uma estratégia antes da competição, porque sabíamos que havia uma campeã mundial na chave, e ela seguiu tudo à risca. A Gabriela tem pouco mais de cinco anos de treino e a evolução dela é muito grande. Em pouco tempo, conquistou títulos que muita gente não imaginava, inclusive alguns dos mais difíceis do Brasil", afirmou o treinador Mauro Ferreira.
De acordo com a comissão técnica, fatores como dedicação, força e empenho foram determinantes para o resultado. "Ela treina várias vezes por dia e ainda concilia com aulas particulares e trabalho. Esse resultado mostra o esforço da atleta e de toda a equipe, mesmo sem patrocínio, com um trabalho sério e consistente", completou.
A nutricionista Milena Nogueira, que acompanha Gabriela de perto, destacou a disciplina e a constância da atleta ao longo da preparação. "Eu conheci a Gabi ainda na faixa azul e já dava para ver o nível dela dentro do tatame. De um jeito nada comum, quem era minha adversária virou minha paciente. O que mais chama atenção nela não é só o jogo, é a postura e a forma como ela treina, como se mantém firme, como evolui sem negociar com o processo. Ela treina com consistência, evolui sem negociar com o próprio desenvolvimento", afirmou.
Também destacou a postura da atleta no dia a dia. "Não é sobre um campeonato, é sobre tudo que ela construiu ao longo do tempo, dentro e fora do tatame. Para mim, não foi surpresa. Esse resultado já era esperado pelo que ela vinha apresentando. Isso aqui ainda é só o começo", enfatizou.
Impacto para Petrópolis
O título nacional fortalece o nome de Petrópolis no cenário do jiu-jitsu e serve de inspiração para novos atletas da cidade. A conquista também projeta Gabriela para desafios ainda maiores, incluindo competições internacionais organizadas pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF). "Os títulos fortalecem o jiu-jitsu de Petrópolis, mas ainda enfrentamos dificuldades pela falta de incentivo ao esporte", enfatizou Mauro.
Após a conquista do tricampeonato, Gabriela já almeja o quarto título na competição e sonha em disputar o mundial nos Estados Unidos da América (EUA). "Daqui a mais ou menos um mês teremos o Brasileiro sem kimono, quem sabe não teremos o tetracampeonato, se Deus quiser, estarei trabalhando para isso. O título que se tornou meu sonho desde que eu comecei a treinar, há 5 anos, é o Mundial, para isso preciso tirar meu visto, uma vez que o campeonato acontece nos Estados Unidos", afirmou.
Próximas gerações
Além das competições, Gabriela também vem se dedicando ao ensino da modalidade, com aulas voltadas para crianças, o que amplia seu papel dentro do esporte. Desde a faixa branca já auxiliava nas aulas infantis. "O professor Mauro, principalmente, sempre nos incentivou a aprender a dar uma boa aula, mesmo antes da faixa preta estar amarrada na cintura. Ele sempre acreditou que um bom professor é formado ao longo de muitos anos de aprendizado e, muitas vezes, foi contrariado por defender que alunos menos graduados também participassem ativamente do ensino, puxando posições e compartilhando conhecimento", disse.
"Eu amo dar aulas. Minhas alunas e minhas crianças já fazem parte da minha vida. Não é só sobre ensinar, é sobre formar, cuidar e compartilhar tudo o que aprendi ao longo da minha jornada. Sinto que esse é o meu propósito. E é por isso que, todos os dias, eu planto algo maior: construo um caminho sólido para, no futuro, ser responsável pela minha própria academia", finalizou Gabriela.