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Semana Fashion Revolution 2026 traz reflexões sobre consumo

Por Leandra Lima

A indústria da moda está entre as que mais impactam o meio ambiente no mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o setor é responsável por até 8% das emissões globais de gases de efeito estufa e descarta, a cada segundo, o equivalente a um caminhão de roupas. É nesse cenário que a Semana Fashion Revolution 2026 propõe um debate sobre consumo, sustentabilidade e responsabilidade na cadeia produtiva.

A moda pode ser lida de várias maneiras, como o modo de vestir, de agir em grupo ou até de cortar o cabelo, mas vai além de tendência. Ela é expressão e identidade. Desde a antiguidade, a moda também é associada a status, algo que ainda se mantém e contribui para o acúmulo de roupas, sapatos e objetos que compõem um look.

Esse consumo acelerado é um dos sinais de uma indústria do vestuário que tem causado impactos cada vez mais significativos no planeta, não apenas pela poluição, mas também pelas mudanças climáticas e pela ocupação de terras.

Dados da Fundação Ellen MacArthur reforçam esse impacto ao apontar que, a cada segundo, o equivalente a um caminhão de roupas é descartado no mundo, seja por incineração ou envio a aterros, evidenciando o ritmo acelerado de descarte no setor.

Ação social

Diante desses impactos, ativistas sociais criaram a "Semana Fashion Revolution", ou "Semana da Revolução da Moda", após a tragédia do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013. O movimento tem como objetivo conscientizar sobre os impactos sociais e ambientais da indústria da moda, além de promover maior transparência e ética no setor.

O evento, que acontece este ano entre os dias 22 e 28 de abril, se consolidou globalmente. Em 2026, o tema é "Fortalecer Ecossistemas da Moda". Segundo o movimento, a semana conecta ações locais e globais, com palestras, painéis e desfiles colaborativos, incentivando o questionamento "quem fez minhas roupas?" como forma de promover educação e ação coletiva, além de combater abusos trabalhistas e impactos ambientais.

Fortalecimento

O conceito também se relaciona com a economia criativa, que engloba produtos e serviços desenvolvidos a partir do conhecimento, da criatividade e do capital intelectual, visando à geração de trabalho e renda de forma sustentável e transparente.

A iniciativa mobiliza desde grandes metrópoles até centros regionais como Petrópolis, conhecida como polo de moda, reforçando a necessidade de reconhecer os bastidores da produção, respeitar os trabalhadores e trazer à tona a discussão sobre justiça climática. Isso porque o fast fashion, modelo baseado no consumo acelerado, impacta diretamente o meio ambiente, afetando principalmente regiões mais vulneráveis.

Petrópolis faz parte

A proposta do movimento inclui moda sustentável, circular e marcas autorais, além da participação de artistas e designers que trabalham com materiais ecológicos. O objetivo é criar conexões, valorizar e dar visibilidade a quem atua em diferentes vertentes, além de promover o empoderamento por meio da moda, sem distinção de gênero ou padrões corporais.

E Petrópolis integra esse movimento. Uma das iniciativas é o "Bazar de Troca", que acontece no dia 27 de abril, das 17h30 às 19h30, no polo da Estácio, no Bingen. Outra ação é a "Festa de Abertura", marcada para o sábado, 25 de abril, às 19h30, no Sobrado 404, na Rua 7 de Abril. O evento propõe ser um ponto de encontro entre moda, consciência e criatividade, com a presença do DJ Artêmio e foco na conexão entre pessoas.

O evento chegou à Estácio pelas mãos do aluno Lucas Pereira, do curso de Jornalismo. Como voluntário da Semana, ele propôs a ação na unidade. "Trazer o Fashion Revolution para a Estácio é a chance de mostrar que a moda é ferramenta de mudança social", afirmou.

'O Bazar'

Segundo a Estácio, o bazar é baseado na troca livre e na negociação direta entre os participantes. Basta levar roupas, de todos os corpos e idades, ou acessórios em bom estado, sem manchas, furos ou rasgos.

No bazar, tudo funciona na base da troca, sem uso de dinheiro. Por isso, as peças devem estar bem conservadas. "O objetivo é que itens esquecidos no armário ganhem novos significados para outras pessoas", destacou a organização.

Ariane Egydio, que coordena de forma voluntária as ações do Fashion Revolution na cidade, ressalta que o bazar é um convite à ação direta. "Nossa missão em Petrópolis é mostrar que a sustentabilidade não precisa ser algo distante ou caro. Ao promovermos a troca, estamos fortalecendo um ecossistema local", disse.