Por Leandra Lima
A palavra renúncia, originada do latim "renuntiare", significa abdicar de algo, uma coisa bem difícil para qualquer indivíduo. Porém, segundo os religiosos, foi uma escolha de Jesus Cristo, quando decidiu sacrificar a própria vida para a libertação da humanidade durante o século I depois de Cristo. O episódio marca o início da Páscoa, uma celebração cristã que comemora a ressurreição de Jesus, após três dias de sua morte. A data é uma herança da cultura judaica, passada de geração a geração.
Como o costume atravessou fronteiras, a Páscoa é comemorada em diversas partes do mundo. Para Amanda Ávila, uma jovem cristã petropolitana, a data carrega muitos significados. "É uma das mais importantes do calendário litúrgico porque marca a ressurreição de Jesus Cristo, fundamentando o pilar central da fé cristã, que é a vitória da vida sobre a morte e da graça sobre o pecado", comentou.
No período, de acordo com Rogério Tosta, assessor de Comunicação da Diocese de Petrópolis, todas as igrejas católicas da Diocese contam com programação especial, celebrando o tríduo pascal, que é a paixão, morte e ressurreição de Cristo.
Simbolismo
A Páscoa carrega muitos simbolismos, como amor, livramento, vida nova e renascimento. "O marco é a conclusão do tríduo pascal, que engloba a paixão, morte e ressurreição de Jesus, e para os católicos esse evento valida a divindade de Cristo e cumpre as promessas das Escrituras. Ela também é vista como uma nova aliança entre Deus e os homens, selada pelo sangue de Jesus", pontuou Amanda.
Segundo a religiosa, a celebração da Páscoa começa na noite de sábado com a Vigília Pascal e nela se destacam três símbolos: o Círio Pascal, uma vela grande que representa a luz de Cristo iluminando as trevas; a água utilizada para a renovação das promessas do batismo; e o aleluia, o canto de alegria que é omitido durante a Quaresma e retorna solenemente na Páscoa. "Nesse período, nós praticamos o preceito pascal, que inclui a confissão e a comunhão sacramental, buscando uma purificação espiritual para iniciar um novo ciclo de vida cristã", explicou.
Tradição
Dentre os significados, há certos símbolos que perpassam a religião, criando um efeito coletivo de como a celebração é comemorada. Como, por exemplo, o ovo de Páscoa, que desde o Império Romano era considerado símbolo de renascimento e vida. Antes, eram distribuídos entre os familiares ovos de galinha, que na contemporaneidade se transformaram em chocolate, algo que se tornou o presente de Páscoa para crianças e adultos.
Com isso, o Correio ouviu consumidores para entender o cenário atual dos preços e as preferências. De acordo com a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o Procon-RJ, foram divulgados os resultados da pesquisa comparativa de preços de produtos de Páscoa de 2026, que identificou variações de até 160,32% entre estabelecimentos para um mesmo item.
Apesar do cenário estadual, os consumidores petropolitanos relatam que os preços estão, sim, acima da média, porém se encontram dentro de um padrão entre a maioria dos estabelecimentos. "Olha, o ovo mais simples está R$ 60. Tenho oito netos, então a opção que escolhi foi montar uma caixinha com barras de chocolate e uma caixa de bombom", relatou Dona Vera Lúcia.
Outra consumidora contou que planejava presentear a mãe, a avó, o namorado e duas primas próximas com ovos tradicionais dos mercados, porém, após avaliar os preços, preferiu escolher ovos artesanais. "A média de preço dos artesanais está bem atrativa, além de ser uma boa opção, pois posso escolher sabores que agradam meus familiares", contou Mariana da Glória.
Além dos chocolates, o peixe é uma marca da Páscoa, pois representa a vida e a fé. Em Petrópolis, a tradicional Feira do Pescado é ponto de referência para os amantes do alimento. Para os católicos, a carne branca é considerada tradição. "Nós, católicos, temos a tradição de não comer carne na Sexta-feira Santa, que é um dos preceitos mais antigos da Igreja Católica e faz parte de um conjunto de práticas de penitência. Para nós, esse gesto vai além de uma simples restrição alimentar e é uma forma de respeito e união ao sacrifício de Jesus Cristo", explicou a jovem cristã.
A Sexta-feira Santa é o dia em que se recorda a crucificação e morte de Cristo. A Igreja propõe a abstinência de carne como um ato de mortificação, que é uma pequena renúncia física. "Esse fato ajuda o fiel a focar no processo de crescimento espiritual e na solidariedade com o sofrimento de Jesus", ressaltou Amanda.
Celebrações
Segundo Rogério Tosta, no sábado a grande celebração é a Vigília Pascal, quando se celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Essa missa acontece à noite, sempre a partir das 19h, na Catedral. "Durante esses dias, cada paróquia, além das celebrações normais acima descritas, promove outras, recordando o sofrimento de Jesus e da Virgem Maria, a mãe que viu seu filho ser crucificado", contou.
Rogério enfatiza que as celebrações são o centro da fé católica. "Pois acreditamos em um Deus que se encarnou como homem, morreu por nós e ressuscitou, vencendo a morte. Acreditamos em um Deus que está vivo entre nós, presente na Eucaristia", disse.
Para Amanda, a ressurreição de Jesus Cristo não é apenas um milagre. "É um dos eventos mais importantes da história da humanidade, porque é um acontecimento que dá sentido a toda fé cristã. A ressurreição é vista como um triunfo definitivo de Deus sobre o mal. Ela confirma que tudo o que Cristo nos ensinou é verdade e que Ele é, de fato, o Filho de Deus", finalizou.