Com a estimativa de mais de 78 mil novos casos de câncer de mama por ano no Brasil para o próximo triênio, setor de diagnósticos aposta em centros especializados que integram imagem e genética para transformar o cuidado com a mulher carioca
O mercado de medicina diagnóstica carioca vive um período de transformação. A era dos laboratórios generalistas cede espaço para um modelo de hiperespecialização, em que a jornada do paciente é desenhada por nichos de cuidado. À frente dessa tendência está a área de saúde feminina, que pode registrar crescimento anual de 16% até 2034, impulsionado pela necessidade de diagnósticos mais precisos e personalizados.
Dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (Inca) reforçam a urgência dessa especialização: para cada ano do triênio 2026–2028, estima-se o surgimento de 78.610 novos casos de câncer de mama no Brasil. Diante desse cenário, a tendência do segmento tem sido a criação de centros dedicados, que reúnem, em um só lugar, tecnologia de ponta e uma abordagem multidisciplinar com profissionais referência na especialidade.
Da imagem à genômica
A convergência entre a radiologia de alta precisão e a oncogenética é o grande diferencial desse novo momento no Brasil e no Rio de Janeiro. Diferente do modelo tradicional, os novos centros de saúde especializados, como o Núcleo de Mama, recentemente inaugurado pelo Alta Diagnósticos, da Dasa, buscam transformar a prevenção em uma prática diagnóstica de alta precisão. "A especialização permite que a paciente não apenas realize um exame, mas passe por uma jornada diagnóstica completa", explica a Dra. Fernanda Philadelpho, radiologista e coordenadora de Núcleo de Mama.
Segundo a especialista, o foco é a detecção precoce, que pode elevar as taxas de cura para patamares superiores a 90%. "Estamos falando de integrar mamografias de última geração, como a tomossíntese (3D) e exames com contraste, à análise genética, que hoje é a chave para personalizar o rastreio, especialmente para mulheres com histórico familiar.", enfatiza.
Democratização de acesso a testes genéticos
A grande inovação que marca essa tendência no mercado carioca é a democratização do acesso a testes genéticos. A análise de genes como BRCA1 e BRCA2 permite que médicos identifiquem a predisposição hereditária antes mesmo do surgimento da doença. Para a Dra. Thereza Loureiro, oncogeneticista da Dasa Genômica, a genética não é mais um luxo, mas uma necessidade clínica para a personalização do tratamento. “Atuamos tanto na prevenção, com a estratificação de risco, quanto no câncer já diagnosticado, utilizando testes genômicos tumorais como o EndoPredict ou o sequenciamento genômico por NGS. Isso nos ajuda a decidir, com base em dados moleculares, a real necessidade de tratamentos como a quimioterapia”, pontua.
Novo perfil do atendimento
A tendência de especialização reflete também uma mudança na expectativa das pacientes cariocas: o desejo por centros de referência que aliem técnicas de excelência a ambientes com conforto e privacidade. De acordo com Claudia Cohn, diretora executiva do Alta Diagnósticos, um dos objetivos da hiperespecialização do serviço feminino é reduzir a ansiedade do diagnóstico e aumentar a agilidade na resposta clínica, articulando especialistas e métodos de imagem de forma integrada.
"Esse movimento sinaliza que a medicina diagnóstica no Rio de Janeiro está consolidando uma estrutura de prevenção contínua. Para as pacientes, a mensagem é clara: o monitoramento da saúde feminina deve ser encarado como um compromisso constante, apoiado ciência e prática médica que, cada vez mais, entendem a importância e a singularidade de cada mulher."