Por: PEDRO SOBREIRO

Tom Cavalcante | Seguindo os passos do mestreChico Anysio

Tom Cavalcante superou a "barreira digital" e vem emplacando sucessos para diferentes gerações | Foto: Rodrigo Zorzi/ Divulgação

Tom Cavalcante subiu ao palco do Qualistage, na Barra da Tijuca, para fazer se apresentar na 3ª edição do festival 'Humor Contra-Ataca', que nasceu para promover o reencontro do público com as diferentes gerações da comédia brasileira. Com casa cheia, o show reuniu dois nomes do humor nordestino para fazer o público chorar de rir, cada um com seu estilo de comédia.

A abertura ficou a cargo de Titela, um dos nomes mais promissores dessa atual geração de comediantes. Quer dizer, o artista tem mais de 20 anos de estrada, sendo muito conhecido no Ceará. Porém, nessa década de 2020, ele começou a apostar no formato do Stand-Up Comedy e vem conquistando o público país afora. Compartilhando suas experiências nesse processo de ascensão na comédia, Titela fez o público chorar de rir, aquecendo o Qualistage para o grande nome da noite: Tom Cavalcante.

Em sua apresentação, que terminou com um "parabéns coletivo" - o show terminou na virada do sábado (7) para domingo (8), dia do aniversário do artista -, Tom levou ao palco alguns de seus personagens mais consagrados da carreira, como João Canabrava e Jarilene, além de fazer imitações de figuras públicas, como Caetano Veloso, Fábio Jr., Lula, Bolsonaro, Roberto Carlos e até mesmo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao fim do show, Tom concedeu uma entrevista ao Correio da Manhã.

Correio da Manhã: Tom, você é um dos maiores nomes do humor brasileiro e tem origem no Nordeste, mais especificamente no Ceará, e hoje temos uma nova geração de humoristas cearenses vindo com muita força na cena da comédia nacional. Como você avalia esse momento?

Tom Cavalcante: "O Ceará sempre foi a grande escola do humor brasileiro, não há dúvidas. A hegemonia do humor nasce ali no Ceará, com Chico Anysio, com Renato Aragão, com Wilson Aguiar... Wilson Aguiar os mais velhos conhecem. Para os mais novos, ele se consagrou como Nezinho do Jegue um personagem que tinha no "Bem-Amado" que marcou a arte brasileira. E vários outros artistas, vários outros artistas que estão brilhando por aí. Titela, Tiririca, Falcão, Tirulipa... Enfim, tem muitos fazendo sucesso por aí. O Ceará serviu de referência para o Brasil, e hoje o Brasil está permeado de grandes humoristas", afirmou.

Correio da Manhã: O "Humor Contra-Ataca" é um festival que mistura gerações de comediantes, trazendo os novos expoentes para se apresentarem junto a nomes já consagrados. E você é um artista que teve apoio de grandes nomes para chegar ao estrelato. Como é poder fazer isso agora pelos artistas que estão em crescimento na cena?

Tom Cavalcante: "Na verdade, eu aprendi essa lição na minha 'pós-graduação' com o Chico Anysio, né? Ele fazia esse trabalho de benemerência de puxar os mais novos pelo braço e ajudá-los a brilhar. Eu fui um dos protagonistas dessa história, e agora é meu papel apoiar. A gente está aqui na vida para isso. Hoje eu trouxe aí o Titela para abrir o show, um rapaz que eu aposto muito no modelo. Ele é muito engraçado, muito carismático e agradou bastante. Eu estava ali no backstage ouvindo o show dele e as reações do público [Titela foi ovacionado pela plateia]. Então, isso é muito legal", comentou.

Correio da Manhã: Tom, você é um artista que conseguiu sobreviver ao "meio digital", que foi uma barreira para muitos nomes do meio. O tempo passou e você conseguiu permanecer relevante, emplacando personagens nas redes sociais e renovando seu público [havia diferentes gerações no Qualistage, de crianças a idosos]. Como foi esse processo?

Tom Cavalcante: "É, eu realmente sofri para ter o entendimento de como é que funciona esse segmento digital. Mas, através da minha filha, Maria, do Cristiano [genro], e dos mais novos, eu fui captando a ideia e entrando no mercado. A gente está bem, hoje, no Instagram, no Facebook, no X... nas redes sociais. A Jarilene, por exemplo, é uma personagem que eu resgatei no digital. É uma personagem minha que está fazendo um sucesso. Tem vídeo dela aí dando 15 milhões, 10 milhões... Está indo muito bem. E trazer essa criançada para o humor é trazer um pouco da gente para a nova geração. A gente traz pelo humor e eles acabam conhecendo uma boa música [Tom canta sucessos dos personagens parodiados]. Eles vão assistir e decidir se gostaram ou não [risos]. Mas é isso, eu acho que é essa a motivação de estar sempre fazendo humor, estar sempre cabeça com a cabeça fora da água", contou.

Correio da Manhã: Por fim, você mantém vivo um estilo de humor que não é mais tão comum no cenário da comédia nacional, que é a comédia de personagens. Como você consegue manter esses personagens vivos por tanto tempo?

Tom Cavalcante: "Trabalhar com personagens é uma experiência muito minha, é algo que está em mim. Quer dizer, sabe aquele cara que você olha e sabe que ele nasceu para jogar bola? Ele tem esse talento com ele. Comigo, acho que é fazer isso [personagens]. Tenho vários personagens na gaveta, acho que devo ter uns 200 aí para pôr no ar, né? Oportunamente, eu vou colocando nos palcos, mas a meta é um dia conseguir voltar a emplacar essa pegada em um programa de humor na TV", revelou Tom.

Tom Cavalcante estreou no domingo (8) à frente do programa 'Boom!', na Record. Já o festival "Humor Contra-Ataca" retorna ao Qualistage na sexta (20), com Paulinho Serra na abertura e a Cia. de comédia Os Melhores do Mundo.