Ao completar mais de um século de história, o Cordão da Bola Preta permanece como um dos maiores símbolos do Carnaval brasileiro. Fundado em 1918, no Centro do Rio de Janeiro, o bloco atravessou diferentes épocas da folia, resistiu a períodos de esvaziamento do Carnaval de rua e hoje segue como referência absoluta em meio à multiplicação de novos blocos. A cada ano, a multidão vestida de branco com bolas pretas reafirma que tradição e popularidade podem caminhar juntas. Em 2026, o Cordão da Bola Preta volta a tomar as ruas do Centro do Rio no sábado de Carnaval, 14 de fevereiro, reunindo mais uma vez milhares de foliões em torno de sua história e de sua tradição.
Para o presidente do Cordão da Bola Preta, Pedro Ernesto Marinho, o reconhecimento popular é motivo de emoção e responsabilidade. "Para todos nós nas fileiras do tradicional e icônico Cordão da Bola Preta, é uma alegria muito grande, uma satisfação imensa ver o bloco, depois de 107 carnavais, chegar com tantos blocos novos e com tanta animação e alegria", afirma. Segundo ele, esse cenário reforça a importância da preservação cultural. "Isso é um combustível que nos leva a lutar cada vez mais pela preservação do carnaval tradicional e da cultura."
Papel importante
A trajetória do Bola Preta se confunde com a própria história do Carnaval carioca. Houve momentos em que a festa passou por fases de retração, com poucos desfiles e menor envolvimento popular. Ainda assim, o Cordão nunca deixou de sair às ruas. "O Bola Preta teve um papel muito importante naquele período em que o carnaval esteve bastante pequeno, reduzido, com poucos blocos e poucos acontecimentos, e mesmo assim se manteve", relembra o presidente.
Essa resistência transformou o Cordão em um elo entre gerações. "A gente até diz que o Bola Preta é a ponte que atravessou do Carnaval antigo e dos tempos de ouro até os dias atuais, quando o carnaval voltou com força total", resume Pedro Ernesto Marinho. Essa continuidade ajudou a preservar costumes, repertórios musicais e uma forma de ocupar o espaço público que hoje inspira toda a dinâmica do Carnaval de rua no país.
O sucesso do Bola Preta está diretamente ligado à fidelidade à sua essência. As marchinhas, os sambas tradicionais e os sambas-enredo consagrados seguem como a base do desfile. A banda, uma das mais tradicionais do Carnaval brasileiro, mantém há décadas o mesmo estilo e proposta musical. "Nossa novidade de sempre é a manutenção do carnaval tradicional. A banda toca só o que o povo do carnaval gosta", destaca o presidente.
Mesmo sendo reconhecido como o principal megabloco do Rio de Janeiro, o Cordão aposta na simplicidade como marca. "Alegria, paz, amor e folia são a nossa essência, a nossa tradição", afirma Pedro Ernesto Marinho, reforçando que o compromisso é sempre fazer o melhor para quem acompanha o desfile. "Eu sempre digo que o Bola Preta existe por causa desse povo, dos foliões apaixonados pelo carnaval e pelo Cordão da Bola Preta."
Diversidade
O desfile também se consolidou como um encontro simbólico entre diferentes expressões culturais. As musas e representantes do Cordão ajudam a ampliar esse diálogo com o público. A rainha Paolla Oliveira, a madrinha Maria Rita, a porta-estandarte Leandra Leal, a musa da banda Emanuelle Araújo e a musa das musas Selminha Sorriso representam a diversidade artística que se reúne sob o estandarte do Bola Preta.
Mais do que um bloco, o Cordão da Bola Preta se firmou como patrimônio afetivo e cultural do Brasil. Sua força não está apenas no número de foliões que arrasta, mas na capacidade de atravessar o tempo sem perder identidade. A cada Carnaval, o Cordão reafirma que a tradição não é um olhar para trás, mas uma forma viva de manter a memória em movimento. Enquanto houver foliões dispostos a celebrar com alegria, paz e amor, o Bola Preta continuará abrindo caminhos na maior festa popular do país.