Por: Da redação

EUAs retiram 6 vacinas do calendário infantil e antigas doenças podem voltar

Estados Unidos retiram seis vacinas importantes do calendário infantil | Foto: Freepik

Os Estados Unidos retiraram seis vacinas do calendário infantil oficial. A decisão foi tomada em meio ao aumento dos casos de doenças respiratórias no país e reacendeu um debate global: até que ponto escolhas políticas podem fragilizar décadas de avanços em saúde pública? A recomendação universal de vacinas foi substituída por um modelo de “decisão clínica compartilhada” entre médicos e famílias. Na prática, os imunizantes seguem disponíveis, mas perdem o respaldo institucional do calendário nacional.

"Em um cenário de desinformação crescente, essa mudança pode reduzir a adesão vacinal e ampliar riscos coletivos. Doenças que poderiam estar erradicadas a partir de 2030 podem retornar com força total, representando risco para crianças, adultos, idosos e pessoas com comorbidades", afirma o infectologista Guenael Freire, do Laboratório São Marcos, da Dasa.

Preocupação médica com repercussões silenciosas

O maior risco não está nos efeitos imediatos da decisão, mas no impacto gradual sobre a confiança nas vacinas, um processo que pode se traduzir, ao longo do tempo, no retorno de surtos de doenças antes controladas. "As consequências não aparecem da noite para o dia, mas surgem meses ou anos depois, na forma de casos graves de meningite, bronquiolite e gastroenterite em crianças. A lógica da saúde coletiva é diferente da lógica individual do consultório", comenta o infectologista Alberto Chebabo, dos laboratórios Bronstein e Sérgio Franco. E ele acrescenta que políticas públicas existem para proteger principalmente quem não pode escolher. "Em tempos de desinformação acelerada, o papel do Estado em defesa das vacinas é mais necessário do que nunca". Mas apesar da decisão do governo norte-americano, a Academia Americana de Pediatria manteve a recomendação das vacinas.

Desigualdade em pauta

Essa preocupação é ampliada pelo risco de aprofundamento das desigualdades em saúde. Para a infectologista e consultora em vacinas na Dasa, Rosana Richtmann, decisões como essa tendem a impactar de forma mais severa as famílias com menor acesso à informação qualificada. "Quem tem acompanhamento médico consistente continuará protegido. Já as populações mais vulneráveis perdem a principal mensagem pública de cuidado coletivo. Parece uma mudança administrativa, mas o impacto é profundamente desigual”, alerta a profissional. 

Confira as seis vacinas que foram retiradas do calendário infantil dos EUA

Influenza: A vacinação contra gripe reduz formas graves da doença que podem levar a complicações como pneumonia e internações hospitalares. Crianças menores de 5 anos estão no grupo de risco para quadros graves. Além disso, a imunização infantil ajuda a diminuir a circulação do vírus na comunidade.

Hepatites A e B

Hepatite A: protege contra surtos relacionados à água e alimentos contaminados, especialmente em ambientes coletivos como creches e escolas.

Hepatite B: previne infecções crônicas que podem evoluir para cirrose e câncer de fígado — um dos maiores avanços da medicina preventiva nas últimas décadas.

Meningococo: vacina contra a meningite bacteriana, que progride rapidamente e pode levar à morte em questão de horas ou deixar sequelas graves, como surdez e danos neurológicos. É crucial para proteger crianças pequenas, que são as mais vulneráveis.

Rotavírus: previne casos severos de gastroenterite e desidratação, que continuam sendo uma das principais causas de internação infantil em locais com baixa cobertura vacinal. Em bebês, a desidratação pode evoluir rapidamente para intercorrências fatais.

Vírus Sincicial Respiratório (VSR): principal causa de bronquiolite em bebês, o VSR é um dos maiores motivos de hospitalização no primeiro ano de vida. Sua vacinação reduz internações pediátricas e evita a sobrecarga de UTIs.