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Hormônios afetam imunidade da mulher

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Presidente Prudente, identificaram que as variações hormonais ao longo da vida da mulher afetam diretamente o sistema imunológico, mas a falta de rigor metodológico em estudos anteriores dificulta a compreensão completa desse fenômeno. O trabalho de revisão, apoiado pela Fapesp e publicado na revista Maturitas, analisou pesquisas recentes sobre ciclo menstrual, perimenopausa e menopausa.

Segundo a coordenadora do estudo, Barbara de Moura Antunes, muitas pesquisas ainda usam métodos simplificados, como aplicativos de celular, para determinar a fase do ciclo menstrual. "Esses métodos apenas indicam se a pessoa está menstruada ou não, mas não distinguem fases folicular, ovulatória ou lútea, em que os níveis de estrogênio e progesterona variam e têm efeitos diferentes no sistema imunológico", explica.

Durante a vida reprodutiva, essas oscilações hormonais modulam a resposta inflamatória. Na fase folicular, o estrogênio elevado favorece ações anti-inflamatórias e melhor desempenho físico e cognitivo. Já na fase lútea, que antecede a menstruação, a progesterona sobe, intensificando processos inflamatórios e aumentando fadiga e dificuldade na recuperação muscular. Estudos do grupo indicam predominância de marcadores anti-inflamatórios na fase folicular e pró-inflamatórios na fase lútea.

Na menopausa, a queda do estradiol está associada a aumento da inflamação e ao risco de doenças cardiovasculares, osteoporose, sarcopenia e alterações metabólicas. Antunes ressalta que o exercício físico não reverte a perda hormonal, mas contribui para reduzir efeitos negativos do envelhecimento, estimulando citocinas anti-inflamatórias e fortalecendo músculos e ossos. A pesquisa da Unesp agora entra em nova fase: um estudo original com mulheres brasileiras, divididas por idade e nível de condicionamento físico, buscará entender como as flutuações hormonais interagem com a atividade física e modulam a resposta inflamatória. A primeira etapa focará em mulheres em idade reprodutiva (18 a 35 anos), enquanto a segunda incluirá mulheres em pré-menopausa, menopausa e pós-menopausa. "Queremos investigar se diferentes tipos e intensidades de exercício podem otimizar a imunidade em cada fase hormonal e em distintos perfis de condicionamento físico", afirma Antunes. Neste momento, os pesquisadores acreditam que os resultados poderão preencher lacunas sobre a saúde da mulher, setor historicamente negligenciado em ensaios clínicos e estudos com animais, que por décadas privilegiaram o sexo masculino em pesquisas.