Por: Redação

Fila nacional não prioriza casos graves

Do total da fila, grande parte aguarda perícia médica | Foto: Agência Gov

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) iniciou em janeiro a operação de uma fila nacional para análise de benefícios, medida que busca reduzir o tempo de espera e equilibrar a distribuição de processos entre diferentes regiões do país. Apesar da mudança, segurados em situação crítica continuam enfrentando atrasos para a realização de perícias médicas e acesso ao benefício.

Isso ocorre, segundo o Ministério da Previdência Social (MPS), porque a fila segue a ordem cronológica de entrada dos requerimentos. A identificação da enfermidade ocorre apenas no momento da perícia médica.

Dados do BEPs

O tamanho atual da fila do instituto é um desafio adicional para segurados que dependem do benefício. De acordo com o Boletim Estatístico da Previdência Social (Beps) de dezembro de 2025, o INSS soma hoje mais de 3 milhões de requerimentos de benefícios em análise ou aguardando perícia médica inicial. O número representa um novo recorde.

Desse total, cerca de 982,2 mil estão dentro do prazo de até 45 dias, enquanto quase 1,7 milhão já ultrapassou esse período. Outros 357 mil pedidos permanecem pendentes por falta de cumprimento de exigências documentais por parte dos segurados.

Dados do Beps mostram que, do total da fila, quase 1,7 milhão de requerimentos já ultrapassaram o prazo legal de 45 dias. Em alguns casos, segurados chegam à perícia já recuperados, o que pode resultar na negativa do benefício ou na ausência de pagamento retroativo.

O advogado previdenciarista Rômulo Saraiva diz que a falta de priorização clara ainda é um dos principais problemas do sistema. Segundo ele, apesar de existirem leis que asseguram atendimento preferencial a determinados grupos em situações como o pagamento de precatórios, o fluxo de marcação de perícias do INSS não distingue a gravidade dos casos no momento do agendamento.

Há ainda casos, de acordo com Saraiva, em que pessoas se machucam e esperam tanto tempo que, quando realizam a perícia, já estão melhores ou até voltaram a trabalhar, o que pode levar à negativa do benefício ou à não concessão dos valores de forma retroativa.

Home office

Saraiva diz que o grande contingente de servidores da autarquia em regime de home office também pode estar afetando o atendimento aos beneficiários. Para o especialista, com o retorno de um número maior de funcionários ao trabalho presencial, a fila poderia avançar com mais rapidez.

"A demanda social da Previdência é muito peculiar. São pessoas que não sabem mexer no celular, que não têm internet, que têm dúvidas mesmo", afirma.

Com informações da Folhapress