Com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 3,90% o Ministério da Previdência divulgou os descontos previdenciários, que também serão alterados. O índice reajusta aposentadorias e pensões acima do salário mínimo (R$ 1.621) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As alíquotas progressivas são aplicadas sobre os salários de janeiro, com desconto efetivo no pagamento de fevereiro. A medida vale para trabalhadores com carteira assinada, empregados domésticos e trabalhadores avulsos. A atualização segue os mesmos critérios utilizados para o reajuste das aposentadorias acima do salário mínimo.
O INPC também aumenta o teto dos benefícios pagos pelo INSS, que passa de R$ 8.157,41 para R$ 8.475,55. De acordo com o calendário de pagamento do INSS, esses segurados começam a receber o valor corrigido a partir do dia 2 de fevereiro. Lembrando que o aumento vale desde 1º de janeiro de 2026. Ou seja, dá direito a valor retroativo.
Autônomo, facultativo e microempreendedor
Para contribuintes individuais, facultativos e donas de casa de baixa renda, o recolhimento também segue o novo salário mínimo de R$ 1.621.
Autônomos que prestam serviços a pessoas físicas podem optar por uma alíquota de 11% sobre o salário mínimo. Nesse caso, o benefício é limitado à aposentadoria por idade no valor do salário mínimo.
Outra possibilidade é a contribuição com alíquota de 20% sobre um valor entre o mínimo (R$ 1.621) e o teto do INSS (R$ 8.475,55), permitindo acesso a todos os benefícios previdenciários, incluindo aposentadoria por tempo de contribuição, quando aplicável.
Conforme o Correio da Manhã havia antecipado, o valor mensal da contribuição do Microempreendedor Individual (MEI) passou de R$ 75,90 para R$ 81,05, correspondente a 5% do salário mínimo vigente.
Pagamento de taxas correspondentes
Além da contribuição previdenciária, o microempreendedor individual também deve pagar as taxas correspondentes à sua atividade — ICMS, para comércio e indústria; e/ou ISS, para prestadores de serviços. Os valores são recolhidos por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS).
Tabela de contribuição
Faixa salarial (R$) Alíquota aplicada
até 1.621,00 7,50%
de 1.621,01 até 2.902,84 9%
de 2.902,85 até 4.354,27 2%
de 4.354,28 até 8.475,55 14%
As contribuições são progressivas: cada percentual é aplicado apenas sobre a parcela do salário que se enquadra em cada faixa. Desde a reforma da Previdência, em vigor desde novembro de 2019, esse modelo substituiu o sistema anterior de alíquota única.
Simulações para assalariados
Confira simulações com os valores de contribuição ao INSS para diferentes faixas salariais em 2026. Os cálculos consideram o salário mínimo de R$ 1.621 e o teto do INSS reajustado para R$ 8.475,55:
Salário de Contribuição
contribuição ao INSS R$
R$ 1.621,00 R$ 121,58
R$ 2.000,00 R$ 155,69
R$ 2.500,00 R$ 200,69
R$ 3.000,00 R$ 248,60
R$ 3.500,00 R$ 308,60
R$ 4.000,00 R$ 368,60
R$ 4.500,00 R$ 431,51
R$ 5.000,00 R$ 501,51
R$ 5.500,00 R$ 571,51
R$ 6.000,00 R$ 641,51
R$ 6.500,00 R$ 711,51
R$ 7.000,00 R$ 781,51
R$ 7.500,00 R$ 851,51
R$ 8.000,00 R$ 921,51
R$ 8.475,55 R$ 988,09
Mudança no salário-família
Além das novas faixas de contribuição ao INSS, outro benefício previdenciário que também teve atualização neste ano é o salário-família — pago pelo INSS a trabalhadores com filhos de até 14 anos (ou filhos inválidos de qualquer idade), desde que atendam aos critérios de renda.
A partir de janeiro de 2026, o valor unitário da cota por dependente é de R$ 67,54 para os trabalhadores cuja remuneração mensal seja de até R$ 1.980,38. Quem recebe acima deste valor não tem direito ao benefício.
Esse valor é pago por filho e é depositado mensalmente junto com o salário, no caso dos trabalhadores com carteira assinada, ou com o benefício previdenciário, nos demais casos. O benefício precisa ser requerido diretamente ao empregador ou ao INSS, com apresentação da certidão de nascimento da criança e comprovação de renda.
A atualização do limite de renda e do valor da cota acompanha o reajuste do salário mínimo e da inflação medida pelo INPC, seguindo as diretrizes da Previdência Social para o exercício vigente.
Faixa salarial Valor por filho
mensal (R$) (até 14 anos)
Até R$ 1.980,38 R$ 67,54
Acima de R$ 1.980,39 Não há pagamento
Impacto
Dados do INSS indicam que mais de 12,2 milhões de brasileiros recebem benefícios acima do piso nacional, agora fixado em R$ 1.621,00. Esses segurados começarão a receber os valores reajustados a partir de 2 de fevereiro, conforme o calendário oficial de pagamentos.
A movimentação não afeta somente aposentadorias. Pensões por morte, auxílios-doença e demais prestações que superam o piso nacional também foram impactadas.
Tome nota
* Benefícios acima do salário mínimo foram reajustados em 3,9% a partir de janeiro de 2026
* O teto dos pagamentos do INSS subiu para R$ 8.475,55
* Mais de 12,2 milhões de segurados serão impactados
* Novas alíquotas de contribuição variam de 7,5% a 14%
* O novo piso de benefícios foi fixado em R$ 1.621, alinhado ao salário mínimo