O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por seis votos a quatro, negar a concessão de aposentadoria especial a profissionais da vigilância. O julgamento ocorreu em plenário virtual e encerrou uma disputa entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e decisão anterior do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que havia reconhecido o benefício.
A maioria dos ministros acompanhou o voto divergente de Alexandre de Moraes, que argumentou que a atividade de vigilância, mesmo armada, não se enquadra como especial. Para ele, a periculosidade não pode ser usada como critério para aposentadoria diferenciada.
Votaram contra o benefício: Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Dias Toffoli, André Mendonça e Gilmar Mendes. E a favor: Kassio Nunes Marques (relator), Flávio Dino, Cármen Lúcia e Edson Fachin.
Impacto financeiro
O INSS sustentou que o reconhecimento da aposentadoria especial para vigilantes teria impacto de R$ 154 bilhões em 35 anos. A autarquia defendeu que a categoria deve receber apenas adicional de periculosidade, já que não há exposição contínua a agentes nocivos.
Reforma da Previdência
A discussão está ligada à reforma da Previdência de 2019, que restringiu a aposentadoria especial a atividades com exposição comprovada a agentes químicos, físicos ou biológicos prejudiciais à saúde. Desde então, a periculosidade deixou de ser critério válido.
Divergência
Enquanto Moraes afirmou que "a atividade de vigilante, com ou sem o uso de arma de fogo, não se caracteriza como especial", o relator Kassio Nunes Marques defendeu que os riscos à integridade física e à saúde mental justificariam o benefício, mesmo após a reforma constitucional.
Número de vigilantes
Atualmente, o Brasil conta com aproximadamente 571 mil vigilantes em atividade, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025. Desse total, cerca de 546 mil trabalham em empresas especializadas de segurança privada, enquanto pouco mais de 24 mil atuam em empresas orgânicas— companhias e indústrias que mantêm seus próprios serviços de vigilância, seguindo normas da Polícia Federal.
Esse número representa um crescimento de cerca de 10% em relação a dezembro de 2024, quando havia pouco mais de 519 mil vigilantes registrados. O setor de segurança privada, portanto, já emprega mais profissionais do que o total de policiais civis e militares no país.
Vale destacar que, embora existam mais de um milhão de pessoas com formação na área, apenas cerca de meio milhão mantém vínculo ativo com empresas de segurança, segundo estimativas anteriores.