Por: POR MARTHA IMENES

JORNAL DO SERVIDOR | Para reduzir custos, Correios muda planos de saúde

Anúncio ocorre em meio ao plano de reestruturação | Foto: Divulgação

Os Correios anunciaram dois novos planos de saúde voltados a empregados ativos, aposentados e ex-empregados da estatal. Pela primeira vez, os produtos também poderão ser contratados por familiares dos trabalhadores. A medida ocorre em meio ao plano de reestruturação da empresa, que enfrenta dificuldades financeiras e busca alternativas para ampliar receitas e reorganizar custos.

Os planos foram apresentados pela Postal Saúde, operadora vinculada à estatal. Nesta fase inicial, os produtos Piloto Master/DF e Piloto Ambulatorial/DF estão disponíveis apenas no Distrito Federal. A previsão é que a oferta seja ampliada gradualmente para outras regiões até o fim do primeiro semestre de 2026.

 

Formato regulamentado

O formato é regulamentado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). De acordo com a Postal Saúde, a proposta é oferecer previsibilidade de custos e estimular o uso racional da rede credenciada, que inclui hospitais, clínicas e laboratórios. O plano Piloto Master/DF oferece cobertura ambulatorial e hospitalar, com consultas, exames, cirurgias e internações em enfermaria — exceto obstetrícia. Já o Piloto Ambulatorial/DF é voltado a atendimentos ambulatoriais e ações de prevenção, incluindo os procedimentos previstos no rol da ANS.

Sem internações hospitalares

Os dois planos anunciados pelos Correios, no entanto, não contemplam internações hospitalares nem procedimentos com duração superior a 12 horas. Nesse caso, o prazo de carência é de 24 horas para emergências e de 30 dias para consultas eletivas. Ambos os planos garantem acesso às Clínicas de Atenção Primária à Saúde sem cobrança de coparticipação.

Inclusão até o quarto grau

A nova modalidade de plano de saúde dos Correios permite a inclusão de parentes consanguíneos até o quarto grau e por afinidade até o segundo grau. Segundo a operadora, as mensalidades partem de R$ 118, em modelo pré-pago, com valores definidos de acordo com o plano escolhido e a faixa etária do beneficiário. Além da mensalidade, há coparticipação de 15% sobre os serviços utilizados.

Modernização

O lançamento integra o plano de reestruturação dos Correios, que prevê medidas de modernização administrativa, revisão de despesas e diversificação de serviços na tentativa de recuperar o equilíbrio financeiro da estatal. Informações sobre adesão e documentação estão disponíveis no site e na central de atendimento da operadora.

Empréstimo

O governo federal ampliou o espaço para que os Correios captem novos recursos com garantia da União. A autorização foi concedida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), elevando a R$ 8 bilhões o limite para operações de crédito respaldadas pelo Tesouro. A medida ocorre em meio a uma crise financeira na estatal.

Assistência médica

O diretor-presidente da Postal Saúde, Eli Pinto de Melo Jr., informou que "a criação dos novos planos é um passo importante para garantir assistência médica e odontológica de qualidade, com opções que atendam diferentes perfis de beneficiários e familiares". O novo modelo prevê modalidades diferenciadas.

Prejuízo

Entre janeiro e setembro do ano passado, o prejuízo acumulado chegou a R$ 6 bilhões. Para 2026, a expectativa do governo é de que o déficit alcance R$ 9,1 bilhões. O balanço fechado de 2025 ainda não tem data para divulgação. Segundo o CMN, a ampliação do limite busca assegurar a continuidade do plano aprovado em dezembro de 2025.

Formato

Apesar da autorização, integrantes do governo e da estatal ainda discutem o formato da capitalização. A possibilidade de os R$ 8 bilhões serem transferidos diretamente pelo Tesouro, na forma de aporte — e não por meio de empréstimo — está em análise. A decisão final deve ocorrer até o fim do semestre.

Garantia

No fim de 2025, os Correios já haviam contratado um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União. A operação envolveu cinco das principais instituições financeiras do país: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O contrato tem validade até 2040.