Bolsa de Valores

Ativos brasileiros despencam até 45% no exterior após vitória de Lula

Bancos, Petrobras e empresas brasileiras registram perdas expressivas em Nova York, enquanto investidores demonstram preocupação com as contas públicas e a continuidade da política econômica

Ativos brasileiros despencam até 45% no exterior após vitória de Lula
Lula (PT) Crédito: Reprodução/YouTube

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma forte reação negativa nos mercados financeiros internacionais nesta segunda-feira (26). Antes da abertura das bolsas americanas, ativos brasileiros registravam quedas superiores a 25%, enquanto ações da XP chegaram a perder mais de 45%. O movimento aumentou o temor de uma paralisação temporária das negociações na Bolsa brasileira.

Por volta das 7h30, o fundo de índice EWZ, que reúne ações de empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos, recuava aproximadamente 26%. Entre os bancos, o Bradesco registrava perdas de até 28,75%, enquanto o Itaú Unibanco caía cerca de 27%. A Petrobras apresentava desvalorização superior a 23%, e a Braskem chegou a despencar 31,76%.

A pressão também atingiu o câmbio. Contratos futuros do real negociados no exterior indicavam desvalorização superior a 10%, com preços equivalentes a um dólar próximo de R$ 5,55. Os valores, entretanto, não representam a cotação oficial da moeda no mercado brasileiro.

A reação reflete a mudança nas expectativas dos investidores, que vinham apostando na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e em uma política econômica de maior contenção dos gastos públicos. Após o primeiro turno, o Ibovespa havia avançado 7,7% em uma única sessão, superando os 200 mil pontos pela primeira vez.

Com a confirmação da vitória de Lula, que recebeu 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio, o mercado voltou suas atenções para a trajetória da dívida pública, a política fiscal e a possibilidade de manutenção dos juros elevados. A taxa Selic está em 13,75% ao ano, e investidores aguardam sinais sobre a equipe econômica e as metas fiscais para 2027.

A intensidade das perdas no exterior elevou o risco de acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações da B3 em situações de forte queda. A primeira suspensão ocorre quando o Ibovespa recua 10% em relação ao fechamento anterior, com paralisação de 30 minutos. Uma queda de 15% provoca nova interrupção, desta vez de uma hora.

Apesar da pressão, as desvalorizações registradas no pré-mercado americano não significam que a Bolsa brasileira terá perdas da mesma magnitude. A abertura do pregão e as primeiras manifestações econômicas do governo serão determinantes para avaliar a extensão da reação dos investidores.