Atividade econômica

IBC‑Br recua 0,2% em julho após queda de 0,9% em junho

Prévia do PIB calculada pelo Banco Central registra segundo mês consecutivo de retração, enquanto atividade acumula alta de 1,5% em 12 meses

IBC‑Br recua 0,2% em julho após queda de 0,9% em junho
Em junho, o indicador havia recuado 0,9% Crédito: Pexels/Anna Nekrashevich

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,2% em julho, na comparação com junho, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (16). O resultado considera o ajuste sazonal, utilizado para facilitar a comparação entre períodos com diferentes características.

Apesar da nova queda, o resultado representa uma perda de ritmo menor do que a registrada no mês anterior. Em junho, o indicador havia recuado 0,9%.

Com o resultado de julho, o IBC-Br registrou o segundo mês consecutivo de retração. O índice é acompanhado pelo mercado como uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB), embora utilize metodologia diferente da adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Agropecuária e indústria puxam queda

Entre os principais setores da economia, a agropecuária apresentou a maior retração em julho, com queda de 1,2%.

A indústria também teve desempenho negativo e recuou 0,4% no mês. Já o setor de serviços ficou estável na comparação com junho.

O resultado mostra que a retração do IBC-Br foi influenciada principalmente pelo comportamento da agropecuária e da indústria, enquanto os serviços não registraram variação no período.

Atividade ainda cresce nas comparações anuais

Apesar da queda mensal, o indicador continua apresentando crescimento quando comparado a períodos mais longos.

Na comparação com julho do ano passado, o IBC-Br avançou 1,1%. No acumulado de janeiro a julho, a alta chegou a 1,5%.

Considerando os 12 meses encerrados em julho, o indicador também registrou crescimento de 1,5%. Nessa comparação e no acumulado do ano, os dados são apresentados sem ajuste sazonal.

Os números indicam que a atividade econômica perdeu ritmo no curto prazo, mas ainda mantém crescimento quando observada em relação ao ano anterior.

Ano eleitoral traz medidas de estímulo

O desempenho da economia ocorre em um ano marcado pelas eleições, período em que o governo adotou medidas com potencial para estimular o consumo e ampliar a demanda.

Entre as iniciativas estão a isenção do Imposto de Renda para pessoas que recebem até R$ 5 mil, a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a oferta de linhas de crédito com custos menores para determinados grupos.

Medidas desse tipo podem estimular a atividade econômica ao aumentar a renda disponível ou facilitar o acesso ao crédito. Ao mesmo tempo, uma demanda mais forte pode dificultar o processo de desinflação caso a economia opere próxima ou acima de sua capacidade.

O Banco Central tem indicado que a perda de ritmo da atividade faz parte do processo de combate às pressões inflacionárias.

Mercado prevê crescimento menor em 2026

As projeções do mercado financeiro apontam para uma expansão da economia brasileira em 2026 inferior à registrada no ano anterior.

A expectativa citada no levantamento é de crescimento de aproximadamente 1,89% neste ano, ante 2,3% em 2025.

A desaceleração da atividade é acompanhada pelo Banco Central porque o ritmo de crescimento da economia influencia as condições para a política monetária. Uma atividade mais aquecida pode aumentar as pressões sobre preços, enquanto uma desaceleração tende a reduzir parte dessas pressões.

IBC-Br é diferente do PIB

Apesar de ser conhecido como "prévia do PIB", o IBC-Br não substitui o cálculo oficial realizado pelo IBGE.

O indicador do Banco Central reúne estimativas para os desempenhos da agropecuária, da indústria e dos serviços, além de considerar os impostos. O cálculo, porém, não incorpora a ótica da demanda da mesma forma que o PIB produzido pelo IBGE.

O PIB considera diferentes componentes da atividade econômica, incluindo consumo das famílias, investimentos, gastos do governo e comércio exterior.

Por isso, os resultados dos dois indicadores podem apresentar diferenças.

Indicador ajuda nas decisões sobre juros

O IBC-Br também é acompanhado pelo Banco Central na avaliação das condições da economia e na formulação da política monetária.

O nível de atividade é um dos elementos observados nas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic. Em termos gerais, uma economia crescendo acima de sua capacidade pode aumentar as pressões inflacionárias e exigir uma política monetária mais restritiva.

Já uma desaceleração da atividade pode contribuir para reduzir essas pressões, embora a definição dos juros dependa de um conjunto mais amplo de indicadores, incluindo inflação, expectativas, mercado de trabalho e cenário externo.