Exportações brasileiras

Exportações do Brasil aos EUA caem 12,2% e têm pior resultado em 3 anos

Tarifas mais altas provocaram queda ainda maior entre produtos brasileiros sujeitos às maiores sobretaxas americanas

Exportações do Brasil aos EUA caem 12,2% e têm pior resultado em 3 anos
Dados fazem parte do Monitor do Comércio Brasil-Estados Unidos Crédito: Divulgação

As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,2% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. As vendas alcançaram US$ 21 bilhões, uma redução de aproximadamente US$ 2,9 bilhões, levando o resultado para o menor patamar registrado para os sete primeiros meses do ano desde 2023.

Os dados fazem parte do Monitor do Comércio Brasil-Estados Unidos, produzido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) a partir de informações do Comexstat.

A retração foi ainda mais acentuada entre os produtos brasileiros submetidos às maiores sobretaxas impostas pelos Estados Unidos. Nesse grupo, as exportações despencaram 31,5%, passando de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões no acumulado de janeiro a julho.

O desempenho reforça os efeitos das medidas tarifárias americanas sobre segmentos relevantes da indústria e do setor extrativo brasileiro.

Produtos mais taxados registram fortes perdas

Entre os produtos submetidos às maiores tarifas, a madeira de coníferas apresentou uma das quedas mais expressivas. As vendas para o mercado americano diminuíram 59,4% nos primeiros sete meses do ano.

Outros produtos também tiveram retrações significativas. As exportações de sebo bovino, ovino ou caprino caíram 42,5%, enquanto as de granitos trabalhados recuaram 42,1%.

O fumo não manufaturado teve redução de 37,7% nas vendas aos Estados Unidos. Já as exportações de portas e caixilhos diminuíram 35,3%.

Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, os resultados indicam uma perda de ritmo no comércio entre os dois países, especialmente nos produtos submetidos às tarifas mais elevadas.

Enquanto permanecer o atual cenário tarifário, segundo o executivo, a tendência é de enfraquecimento das trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com impactos para as duas economias.

Exportações caem novamente em julho

Somente em julho, o Brasil exportou US$ 3,6 bilhões em mercadorias para os Estados Unidos. O valor representa uma queda de 5% em relação ao mesmo mês de 2025.

O resultado interrompeu a recuperação observada em junho, quando as vendas brasileiras ao mercado americano haviam crescido pela primeira vez desde agosto do ano passado, período em que começaram a ser aplicadas tarifas mais elevadas.

Entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas, o recuo também foi mais intenso em julho, chegando a 25,7%.

Na contramão desse movimento, as exportações de produtos enquadrados na Seção 232 cresceram 21,5%. O avanço foi impulsionado principalmente pelas vendas brasileiras de aço e alumínio.

No acumulado do ano, também registraram quedas importantes as exportações de sebo bovino, madeira compensada, portas, fumo, madeira de coníferas, granito, torneiras e sucos de frutas. Os semimanufaturados de ferro e aço também apresentaram retração.

Como funcionam as tarifas americanas

As sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos atingem diferentes grupos de produtos brasileiros e possuem regras específicas.

Os itens sujeitos às tarifas mais elevadas enfrentam alíquotas entre 25% e 37,5%. Nesse grupo estão produtos como sebo bovino, fumo, madeira de coníferas e portas.

Há ainda mercadorias submetidas a uma sobretaxa de 12,5%, considerada a tarifa-base dentro da Seção 301. A categoria inclui produtos como minério de ferro aglomerado, pedras de cantaria e determinados tipos de silício.

Outra classificação é a Seção 232, relacionada à legislação americana de segurança nacional. Nessa categoria estão produtos industriais e estratégicos, como aço, alumínio, transformadores e máquinas pesadas.

As regras da Seção 232 variam de acordo com o produto, sua composição e o segmento econômico envolvido.

Exportações brasileiras para outros países avançam

O desempenho do comércio com os Estados Unidos contrasta com o resultado geral das exportações brasileiras.

Enquanto as vendas para o mercado americano diminuíram 12,2% de janeiro a julho, as exportações totais do Brasil cresceram 10,5% no mesmo intervalo.

Mesmo com a retração, os Estados Unidos permaneceram como o segundo principal destino dos produtos brasileiros, atrás apenas da China.

A diferença de desempenho também aparece quando são comparados os mercados de determinados produtos.

Entre os dez principais itens exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, quatro tiveram queda nas vendas ao mercado americano ao mesmo tempo em que registraram aumento das exportações para outros países.

O petróleo bruto, por exemplo, teve redução de 25,5% nas vendas aos Estados Unidos. Já os semimanufaturados de ferro ou aço recuaram 11,1%, enquanto o ferro-gusa caiu 7,9% e a celulose apresentou redução de 5,3%.

Entre os dez principais produtos brasileiros submetidos às sobretaxas, cinco registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no acumulado do ano. Para os demais mercados internacionais, todos esses produtos apresentaram crescimento.

Brasil acumula déficit com os Estados Unidos

A retração das exportações ocorreu ao mesmo tempo em que o Brasil também reduziu suas importações de produtos americanos.

Entre janeiro e julho, as compras brasileiras nos Estados Unidos totalizaram US$ 23,2 bilhões, uma queda de 10,4% em relação aos primeiros sete meses de 2025.

Como o valor das importações superou o das exportações, o Brasil acumulou déficit comercial de US$ 2,3 bilhões com os Estados Unidos no período.

O resultado representa aumento de 122,3% em relação ao déficit registrado no mesmo intervalo do ano passado.

O déficit comercial ocorre quando o valor das compras de um país supera o total vendido a ele.

Compras brasileiras dos EUA voltam a crescer em julho

Em julho, as importações brasileiras de produtos americanos avançaram 0,6%, chegando a US$ 4,3 bilhões.

O resultado interrompeu uma sequência de sete meses de retração nas compras brasileiras provenientes dos Estados Unidos.

Com exportações de US$ 3,6 bilhões e importações de US$ 4,3 bilhões, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões no comércio bilateral durante julho.

Os números de janeiro a julho mostram, portanto, um cenário de redução das exportações brasileiras para os Estados Unidos, especialmente entre os produtos mais atingidos pelas sobretaxas, enquanto as vendas para o restante do mundo mantêm trajetória de crescimento.