O planejamento para aposentadoria segue limitado no Brasil. Em 2025, 60% das pessoas que ainda não se aposentaram afirmam que dependerão da previdência pública no futuro. Em 2022, esse percentual era de 51%. Ao mesmo tempo, apenas 16% disseram ter iniciado algum tipo de reserva financeira para a aposentadoria, o menor nível da série.
De acordo com a Anbima, "os dados mostram dificuldade de planejamento de longo prazo e a baixa capacidade de poupar afeta diretamente a preparação para o futuro, mantendo a dependência de fontes públicas de renda"
As diferenças entre gerações também aparecem. Entre os mais jovens, há maior presença de investimentos diversificados e de reserva de emergência. Já entre os mais velhos, 62% afirmam não guardar dinheiro, o que limita a capacidade de lidar com despesas inesperadas.
Para 2026, a pesquisa aponta crescimento no número de investidores. Cerca de 23,2 milhões de pessoas que ainda não investem afirmaram que pretendem começar. Em 2024, esse número era de 18 milhões. Por outro lado, 14,5 milhões indicaram que podem deixar de investir, número próximo ao do ano anterior.
Se essas intenções se confirmarem, o país pode ter um aumento de cerca de 8,7 milhões de investidores.
Gastos com apostas
O número de brasileiros que fazem apostas online tem crescido e mostra mudanças no comportamento financeiro. Em 2025, 17% da população afirmou ter feito apostas.
Entre os apostadores, 39% disseram que o principal motivo é tentar ganhar dinheiro rápido. Outros 32% apontaram o entretenimento como razão para apostar. Esse número aumentou em relação a 2024.
A ideia de que apostas podem funcionar como investimento aparece em menor escala. Cerca de 20% dos entrevistados citaram esse motivo, sem mudança relevante em relação aos anos anteriores.
A pesquisa também identificou que 11% dos apostadores têm alto risco de vício. Esse percentual se manteve estável.
O crescimento das apostas acontece junto com dificuldades financeiras. Parte dos apostadores está entre aqueles que têm dificuldade para organizar o orçamento, o que pode levar a decisões voltadas para recuperar dinheiro ou compensar perdas.
Outro ponto observado é a preferência por resultados imediatos. Parte da população prefere ganhos rápidos, mesmo que menores, em vez de esperar por valores maiores no futuro. Esse comportamento é mais comum entre pessoas com menor renda e menor acesso à educação financeira.
Sobre a pesquisa
O Raio X do Investidor Brasileiro é uma pesquisa organizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) em parceria com o Datafolha. O levantamento analisa hábitos financeiros, perfil e comportamento dos investidores no país. Os dados de 2026 deverão ser divulgados no início de 2027