Por: Andre Souza

IDV aponta que vendas devem constinuar crescendo em março e manter alta nos meses seguintes

Consumo segue moderado no início do ano, refletindo cautela nas decisões de compra. | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As vendas do comércio varejista brasileiro devem seguir em alta nos próximos meses, segundo levantamento do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). O Índice Antecedente de Vendas (IAV-IDV) aponta crescimento nominal de 7,3% em março, 2,7% em abril e 2,3% em maio, sempre na comparação com os mesmos meses do ano anterior.

Em fevereiro, último dado consolidado, o índice registrou avanço nominal de 2,3% sobre igual mês de 2025, indicando continuidade do movimento positivo do setor no início deste ano.

O IAV-IDV reúne informações prestadas por empresas associadas ao instituto e considera a participação das atividades no volume total de vendas do comércio varejista medido pelo IBGE. As companhias que integram o indicador representam cerca de 20% das vendas do varejo nacional.

Quando os números são ajustados pela inflação oficial medida pelo IPCA, o desempenho é mais moderado. Nesse recorte, o índice mostra alta real de 3,8% em março, seguida de queda de 0,8% em abril e de 1,2% em maio. 

Segundo o presidente do IDV, Jorge Gonçalves Filho, o resultado recente foi influenciado pela melhora da intenção de consumo das famílias. Ele destacou que o indicador da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) subiu 0,6% em fevereiro ante janeiro, alcançando o maior nível desde maio de 2024.

" O cenário externo pode afetar o ritmo de queda dos juros e, consequentemente, o consumo nos próximos meses. Os conflitos geopolíticos e as pressões sobre os custos globais podem influenciar a inflação e limitar uma redução mais intensa da taxa Selic" - disse.

Desempenho por setores

Quase todos os segmentos acompanhados pelo índice registraram crescimento em fevereiro. A única exceção foi o setor de material de construção.

Supermercados e hipermercados

As vendas cresceram 1,9% em fevereiro na comparação anual. Para os próximos meses, a projeção é de alta de 4,7% em março, 1,4% em abril e 3,3% em maio.

Atacado

O setor avançou 7,8% em fevereiro, acima da previsão anterior. Para março e abril, a expectativa é de crescimento de 3,0% e 3,4%, respectivamente. Em maio, a estimativa é de estabilidade.

Material de construção

Foi o único segmento em queda no mês, com retração de 2,5% sobre fevereiro de 2025. Ainda assim, a expectativa é de recuperação, com altas de 2,8% em março, 3,1% em abril e 0,6% em maio.

Uso pessoal e doméstico

Outros artigos de uso pessoal e doméstico cresceram 4,7% em fevereiro. Para os próximos meses, o índice projeta avanço de 9,9% em março, 10,2% em abril e 4,4% em maio.

Farmácias, perfumaria e cosméticos

O segmento registrou uma das maiores altas do levantamento, com crescimento de 10,9% em fevereiro. As projeções indicam novas expansões de 15,2% em março, 11,7% em abril e 9,2% em maio.

Móveis e eletrodomésticos

As vendas recuaram 4,9% em fevereiro. Para março, abril e maio, a expectativa é de recuperação, com altas de 3,1%, 3,6% e 3,8%.

Vestuário e calçados

O setor avançou 3,4% em fevereiro na comparação anual. As projeções apontam crescimento de 6,3% em março, 5,1% em abril e 6,3% em maio.

 

Cenário para 2026

O IDV avalia que a economia brasileira deve crescer em ritmo moderado neste ano, com projeção de expansão de 1,83% do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa para a inflação oficial é de 4,10%, enquanto a taxa Selic pode encerrar 2026 em torno de 12,25%.

Na avaliação do instituto, o ambiente combina desaceleração gradual da atividade econômica, mercado de trabalho ainda resiliente e consumo sustentado, embora sujeito ao impacto dos juros e da inflação.