A inflação oficial do país voltou a acelerar em março de 2026. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,88%, acima da taxa registrada em fevereiro (0,83%), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,14%, permanecendo dentro do intervalo da meta de inflação (entre 1,5% e 4,5%).
Alimentos e bebidas
O resultado foi influenciado principalmente pelo avanço dos preços de alimentos e combustíveis, que concentraram as maiores pressões no período. O grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 1,56% e teve o maior impacto no índice geral. Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio subiu 1,94%, acelerando frente ao mês anterior.
Produtos in natura apresentaram as maiores variações, refletindo fatores como clima e oferta. Entre os itens com maiores altas estão a cenoura (+28,44%), abobrinha (+23,53%), tomate (+20,27%), cebola (+17,22%), feijão-carioca (+15,44%), batata-inglesa (+12,10%), leite longa vida ( +11,73%) e carnes (+1,74%).
Por outro lado, parte dos alimentos apresentou recuo de preços, contribuindo para limitar a alta do grupo, como o abacate (-13,24%), a laranja-baía (-8,00%), maçã (-5,79%) e café moído (-1,32%).
Transportes
O grupo Transportes também colaborou com a alta do IPCA, com 1,64%. Os combustíveis foram o principal fator de pressão: a gasolina subiu 4,59%, o diesel avançou 6,72% e o etanol registrou alta de 3,12%. Esses aumentos impactam não apenas o consumo direto, mas também custos logísticos, com efeitos sobre outros preços da economia.
Saúde e cuidados pessoais
Saúde e cuidados pessoais registraram alta de 0,43% em março, com destaque para os planos de saúde, que avançaram 0,57%, e para os produtos farmacêuticos, com aumento de 0,31%. Itens de higiene pessoal e perfumaria permaneceram estáveis.
Despesas pessoais
O grupo Despesas pessoas, que inclui gastos com lazer, cuidados pessoais e serviços diversos, teve variação de 0,58%, impulsionado pelos serviços pessoais, que subiram 0,95%, e pelos gastos com recreação, com alta de 0,27%.
Habitação
No grupo Habitação, a alta foi de 0,29%, com influência de itens como gás de botijão (+0,45%), água e esgoto (+0,38%) e energia elétrica residencial (+0,12%). Os custos ligados à moradia tiveram avanço moderado, sem pressões mais intensas no período.
Educação
Já o grupo Educação permaneceu praticamente estável em março, sem variações relevantes. O comportamento reflete a ausência de reajustes no mês, já que os principais aumentos de mensalidades escolares e material escolar costumam ocorrer no início do ano letivo, em fevereiro.
Pressão concentrada em itens essenciais
A composição do IPCA de março mostra que a inflação esteve concentrada em itens essenciais, especialmente alimentos e combustíveis. Esses grupos têm peso relevante no orçamento das famílias e influenciam diretamente o custo de vida.
A alta dos combustíveis também tende a gerar efeitos indiretos, ao elevar despesas com transporte e distribuição de mercadorias. Esse movimento pode pressionar outros preços ao longo da cadeia produtiva.
Mesmo com a aceleração no mês, o IPCA acumulado em 12 meses permanece dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional., de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Na prática, isso significa que o intervalo considerado adequado é de no mínimo (1,5%), centro da meta ( 3,0%) e máximo(4,5%). Se a inflação ficar fora desse intervalo, o Banco Central do Brasil precisa justificar formalmente o descumprimento da meta.