A caderneta de poupança registrou retirada líquida de R$ 11,1 bilhões em março, segundo dados divulgados na quinta-feira (9) pelo Banco Central. No período, os depósitos somaram R$ 369,594 bilhões, enquanto os saques chegaram a R$ 380,712 bilhões — diferença de R$ 11,1 bilhões.
Mesmo com o crédito de rendimentos de R$ 6,2 bilhões, o saldo total aplicado caiu para R$ 999,7 bilhões, voltando a ficar abaixo da marca simbólica de R$ 1 trilhão. O resultado mantém a trajetória recente de saída de recursos da aplicação considerada a mais tradicional do país.
No acumulado de 2026, a poupança registra retirada líquida de R$ 41,246 bilhões no primeiro trimestre. Entre janeiro e março, os depósitos totalizaram R$ 1,028 trilhão, enquanto os saques atingiram R$ 1,069 trilhão. No mesmo período, os rendimentos creditados somaram R$ 18,8 bilhões.
O desempenho negativo ocorre em um cenário de maior competição com produtos de renda fixa, impulsionados por juros elevados(Selic a 14,75%), como contas-correntes que rendem 100% do CDI e caixinhas. Com isso, investidores têm buscado alternativas mais rentáveis, o que reduz a atratividade da caderneta, conhecida pela alta liquidez e isenção de Imposto de Renda.
Histórico
Historicamente, a poupança sempre sido utilizada como porta de entrada para investidores, mas vem perdendo espaço nos últimos anos.
Nos últimos dez anos, a poupança alternou períodos de captação positiva e retirada, mas passou a registrar perdas recorrentes a partir de 2021. Em 2016, houve saída de R$ 40,7 bilhões, seguida por entradas em 2017 (R$ 17,1 bilhões), 2018 (R$ 38,2 bilhões) e 2019 (R$ 13,2 bilhões). Em 2020, a aplicação teve entrada recorde de R$ 166,3 bilhões, impulsionada pela pandemia. A partir de então, o fluxo se inverteu: foram retiradas de R$ 35,5 bilhões em 2021, R$ 103,2 bilhões em 2022, R$ 87,8 bilhões em 2023, R$ 15,5 bilhões em 2024 e R$ 85,6 bilhões em 2025, consolidando uma tendência de perdas estruturais.