Por: Andre Souza

Cesta básica sobe em todas as capitais brasileiras em março e pressiona orçamento das famílias

Nem só de comida vivem aposentados e pensionistas | Foto: Prefeitura de Araras-SP

O custo da cesta básica aumentou em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal em março de 2026, segundo levantamento da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado reforça a pressão dos alimentos sobre o orçamento das famílias e a persistência da inflação alimentar no país.

De acordo com o estudo, a maior alta mensal foi registrada em Manaus, onde o preço médio da cesta subiu 7,42%. Em seguida aparecem Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%) e Aracaju (6,32%). No acumulado de 2026, todas as capitais apresentam elevação nos preços, com variações que vão de 0,77%, em São Luís, até 10,93%, em Aracaju.

Entre os principais responsáveis pelo aumento está o feijão, que apresentou alta em todas as cidades pesquisadas. Segundo o Dieese, "a elevação ocorreu devido à restrição na oferta provocada por dificuldades na colheita". O feijão preto registrou aumentos nas capitais do Sul, além do Rio de Janeiro e Vitória, enquanto o feijão carioca teve variações em outras regiões do país.

Além do grão, produtos importantes da alimentação diária também ficaram mais caros, como tomate, carne bovina de primeira e leite integral, aumentando o impacto no custo final da cesta.

São Paulo voltou a registrar a cesta básica mais cara do país em março, com custo médio de R$ 883,94. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (R$ 867,97), Cuiabá (R$ 838,40) e Florianópolis (R$ 824,35). Já os menores valores foram observados em capitais das regiões Norte e Nordeste, como Aracaju, Porto Velho, São Luís e Rio Branco, onde a composição da cesta é diferente e os preços médios permanecem mais baixos.

Custo de vida

Com base no valor da cesta mais cara, o Dieese também estimou que o salário mínimo necessário para suprir despesas básicas de uma família brasileira — incluindo alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e lazer — deveria alcançar R$ 7.425,99, equivalente a 4,58 vezes o mínimo atual de R$ 1.621.

O resultado de março confirma a tendência de alta observada desde o início do ano e indica que os alimentos continuam sendo um dos principais fatores de pressão inflacionária, afetando principalmente as famílias de menor renda, que destinam parcela maior do orçamento à alimentação.

Com informações da Agência Brasil